Guaidó segue destino incerto após abandono dos EUA e Brasil

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Publicado quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019 as 15:54, por: CdB

Antes mesmo de chegar para o encontro com Bolsonaro, Guaidó ainda tentava digerir o abandono de seu principal aliado: os EUA.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Brasília, Paris e Washington

 

Sem um destino certo, autoproclamado presidente interino da Venezuela por 30 dias, com prazo vencido, o “boneco de Donald Trump” Juan Guaidó, como o classifica o presidente eleito e no exercício de seu mandato, Nicolás Maduro, refugiou-se no Brasil para os próximos dias, e diz que pretende voltar a Caracas no fim de semana, “mais tardar, na segunda-feira”. Em entrevista, no Palácio do Planalto — onde foi recebido sem honras de Estado —, Guaidó preferiu não repercutir o discurso morno de seu contraparte brasileiro, Jair Bolsonaro.

Guaidó passa alguns dias no Brasil, para avaliar se volta à Venezuela, onde será preso, de imediato
Guaidó passa alguns dias no Brasil, para avaliar se volta à Venezuela, onde será preso, de imediato

Antes mesmo de chegar para o encontro com Bolsonaro, que claramente deixou de lado a ideia do possível apoio a uma invasão armada à Venezuela, Guaidó ainda tentava digerir o abandono de seu principal aliado: os EUA. A derrota militar de Guaidó, ao não conseguir até hoje a adesão das Forças Armadas bolivarianas foi alvo de críticas duras por parte do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence. Os norte-americanos estariam, claramente, buscando uma outra alternativa.

O representante norte-americano recriminou Guaidó por seu fracasso desde a sua autoproclamação em 23 de janeiro último, o que levou também ao crescimento das dificuldades para os EUA justificar a intervenção armada planejada pela Casa Branca, segundo denunciou a diplomacia russa, na véspera. https://www.correiodobrasil.com.br/eua-estao-preparando-intervencao-militar-venezuela-nikolai-patrushev/

Autoproclamação

A informação foi divulgada no portal argentino de notícias ‘La Política Online’, onde descreveu que a reclamação aconteceu ainda no encontro do chamado Grupo de Lima, na última segunda-feira, em Bogotá, Colômbia.

Guaidó se comprometeu com ao governo dos EUA, após receber o apoio da maioria dos líderes mundiais e o seu reconhecimento como suposto presidente da Venezuela, a entregar ao menos a deserção de metade dos oficiais militares. Sua autoproclamação não atraiu sequer 0,1% do oficialato venezuelano e, na base das Forças Armadas de mais de 3 milhões de tropas, o número de deserções permanece irrisório.

O desembarque da União Europeia de qualquer aventura armada, contra o governo Maduro, foi outro fato decisivo para o naufrágio de Guaidó. Outra das afirmações falsas do improvável presidente consistiu em garantir que a base social de apoia ao sistema socialista liderado por Maduro estaria ‘desintegrada’. A afirmação tampouco se confirmou.

Itamaraty

Em Bogotá, o vice-presidente dos EUA também questionou a atitude pouco comprometida dos milionários venezuelanos que vivem no exterior. O governo Trump esperava uma participação mais pesada de recursos para o financiamento de subornos de policiais, militares e políticos para que se declarassem favoráveis a Guaidó. Até agora, nenhum empresário arriscou sua fortuna nessa opção.

Diante disso, centros de decisão internacional aliados a Donald Trump começaram a alertar que a oposição venezuelana ‘pode ter perdido o momento’ que supostamente ganhou com o surgimento de Guaidó.

No encontro com Bolsonaro, o venezuelano agradeceu o “apoio” e para tratar dos próximos passos da política de desestabilização em seu país. Após o encontro no Planalto, o venezuelano foi recebido no Palácio do Itamaraty pelo chanceler Ernesto Araújo.

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