Guedes se aborrece e avalia deixar Ministério, após uma ‘traição’ interna

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Publicado sexta-feira, 24 de abril de 2020 as 13:27, por: CdB

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem do Correio do Brasil, junto à equipe econômica do governo, este seria o primeiro sinal de que o próximo ministro a deixar o governo de Jair Bolsonaro (STF) seria o economista Paulo Guedes. O ministro teria se aborrecido com a decisão do grupo de generais que integram o núcleo do Palácio do Planalto de anunciar o plano econômico.

Por Redação – de Brasília

O Ministério da Economia anunciou, nesta sexta-feira, o cancelamento de uma participação do ministro Paulo Guedes em evento promovido pelo banco Itaú, que seria transmitido virtualmente a partir das 10h30. Questionada sobre o motivo para tanto, a assessoria de imprensa da pasta informou não ter detalhes sobre a decisão.

Bolsonaro e Guedes subestimam o drama do povo brasileiro
Guedes estaria em rota de colisão com o presidente Bolsonaro, que autorizou os generais no governo a anunciar um plano econômico

De acordo com fontes ouvidas pela reportagem do Correio do Brasil, junto à equipe econômica do governo, este seria o primeiro sinal de que o próximo ministro a deixar o governo de Jair Bolsonaro (STF) seria o economista Paulo Guedes. O ministro teria se aborrecido com a decisão do grupo de generais que integram o núcleo do Palácio do Planalto de anunciar um plano econômico que, segundo comentou com interlocutores, “significa a explosão da economia brasileira”.

Em linha com o que apurou o CdB, o plano Pró-Brasil para impulsionar a retomada do país com investimentos públicos após a crise do coronavírus foi visto como bomba fiscal pela equipe econômica. Trata-se, ainda, de uma traição do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, que antes de assumir a pasta era peça proeminente do time do ministro Paulo Guedes, disseram fontes do Ministério da Economia.

‘Plano Marshall’

Após a mobilização necessária junto ao Senado para desarmar ajuda aos governadores que tinha sido aprovada na Câmara dos Deputados e considerada um cheque em branco, a avaliação da equipe econômica é que Marinho teria procurado ministros para colher sugestões de gastos para saída da crise.

— Então aparece o ‘Plano Marshall’ PAC do Marinho, disparando expectativas adversas de pauta bomba fiscal — disse uma das fontes, em condição de anonimato.

O Programa de Aceleração de Crescimento (PAC) foi tocado em governos petistas para promoção de grandes obras de infraestrutura. Dentro da atual equipe econômica, ele é considerado um erro, uma vez que empregou recursos públicos maciços, mas não alavancou a atividade econômica de maneira sustentável.

Alinhamento

Guedes é um árduo defensor da indução do crescimento por investimentos privados e seus secretários têm vindo a público nesta semana para bater nessa tecla, reiterando a importância das reformas passada a fase aguda da crise com o coronavírus.

Uma segunda fonte pontuou que a investida de Marinho representou uma decepção para a equipe econômica porque, quando ainda secretário especial de Previdência e Trabalho do Ministério da Economia, ele foi elogiado diversas vezes por Guedes pela aprovação da reforma previdenciária.

Sua ida para o Desenvolvimento Regional foi apoiada pelo ministro da Economia, que viu na mudança uma janela para aumentar o alinhamento econômico com outras pastas da Esplanada.

Proposta

Agora, a percepção é que Marinho teria “girado a chave” com propósitos políticos, mirando beneficiar o Nordeste com a promoção de obras públicas, disse a segunda fonte. Marinho, que relatou a reforma trabalhista aprovada no governo do ex-presidente Michel Temer, tentou se reeleger sem sucesso deputado federal pelo PSDB no Rio Grande do Norte, em 2018.

Procurado, o Ministério do Desenvolvimento Regional informou, via assessoria de imprensa, que cada pasta está levando sua sugestão de obras para um grupo de trabalho que ainda vai fechar a proposta.

Segundo também apurou a agência inglesa de notícias Reuters, o MDR tem um levantamento de obras que seriam retomadas a um custo de cerca de R$ 180 bilhões até 2024.