Guedes cogita ‘choque de oferta e produtividade’ para conter inflação

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Publicado terça-feira, 28 de setembro de 2021 as 13:20, por: CdB

Se a medida não funcionar, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), estará em uma posição ainda mais delicada, uma vez que tanto seu prestígio pessoal quanto o de seu governo despencam nas pesquisas de opinião. Em discurso sobre os mil dias de sua gestão, Bolsonaro revelou que se considera “um zero à esquerda” no que compete à economia.

Por Redação – de Brasília

Diante dos aumentos descontrolados de preços, nos últimos meses, o ministro da Economia, empresário Paulo Guedes, disse a interlocutores, nesta terça-feira, que promoverá um choque de oferta e de produtividade. Segundo o chefe da equipe econômica do governo, a inflação, que tende a ultrapassar os dois dígitos até dezembro deste ano, será “atacada tecnicamente”, segundo divulgado em um dos diários conservadores cariocas.

Ministro da Economia, Paulo Guedes
Ministro da Economia, Paulo Guedes segue no rumo do Chile, que vive uma de suas mais agudas crises sociais

O objetivo do plano ministerial será o de promover, nas próximas semanas, uma redução de 10% nas tarifas de importação para todos os produtos comercializados com o exterior. Guedes, no entanto, tende a enfrentar a oposição da Argentina, dentro do Mercosul. Se não houver um acordo com o país vizinho, Guedes já admite implantar a decisão e responder por ela em um tribunal internacional, deixando antever que teria apoio do Uruguai e do Paraguai no bloco.

Se a medida não funcionar, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), estará em uma posição ainda mais delicada, uma vez que tanto seu prestígio pessoal quanto o de seu governo despencam nas pesquisas de opinião. Em discurso sobre os mil dias de sua gestão, Bolsonaro revelou que se considera “um zero à esquerda” no que compete à economia.

Política fiscal

Para debelar a inflação, diz o mandatário, ele deposita sua confiança no presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

— Por isso, o Banco Central independente. Converso uma vez por semana com o Roberto Campos (Neto). Em economia, sou zero à esquerda. Se o remédio para combater é só aumentar a taxa de juros qualquer um pode ocupar o Banco Central. Ele sabe o que fazer. Tenho confiança nele — acrescentou.

De acordo com a ata do Comitê de Política Monetária (Copom), presidido por Campos Neto, o aumento dos preços de alimentos, combustíveis e energia e novos prolongamentos das políticas fiscais de combate aos efeitos da pandemia de covid-19 levaram o Banco Central (BC) a manter a trajetória mais contracionista para a política monetária, para conter o avanço inflacionário. A avaliação consta do documento divulgado nesta manhã.

Selic

Para o Copom, novos prolongamentos das políticas fiscais pressionam a demanda agregada (procura por bens e serviços) e pioram a trajetória fiscal, de comprometimento das contas públicas. “Apesar da melhora recente nos indicadores de sustentabilidade da dívida pública, o risco fiscal elevado segue criando uma assimetria altista no balanço de riscos, ou seja, com trajetórias para a inflação acima do projetado no horizonte relevante para a política monetária”, diz a ata.

No encontro da semana passada, o Copom elevou a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 5,25% ao ano para 6,25% ao ano e já sinalizou que deve fazer um aumento da mesma magnitude na próxima reunião, em outubro, mantendo o ciclo de elevação da taxa de juros.

Esse foi o quinto reajuste consecutivo na taxa Selic, que está no nível mais alto desde julho de 2019, quando estava em 6,5% ao ano. Para combater os efeitos da pandemia, em agosto de 2020 chegou ao menor nível da história, em 2% ao ano. De março a junho, o Copom tinha elevado a taxa em 0,75 ponto percentual em cada encontro. No início de agosto, o BC passou a aumentar a Selic em 1 ponto a cada reunião.

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