Guedes detecta possível confronto com oposição e foge da Câmara

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Publicado terça-feira, 26 de março de 2019 as 13:13, por: CdB

Guedes temia ser firmemente questionado por parlamentares da oposição que, nas redes sociais, traçaram uma estratégia para mostrar os pontos negativos do pacote.

 

Por Redação – de Brasília

 

Ministro da Economia, Paulo Guedes desistiu de comparecer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados nesta terça-feira, receoso de enfrentar um paredão de questões sobre os pontos negativos da reforma previdenciária. A decisão mexeu com as cotações da moeda norte-americana e o preço das ações na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). Os investidores percebem a falta de articulação consistente para a reforma da Previdência caminhar no Congresso.

Paulo Guedes preferiu evitar o questionamento da reforma previdenciária junto aos parlamentares da oposição
Paulo Guedes preferiu evitar o questionamento da reforma previdenciária junto aos parlamentares da oposição

Guedes temia ser firmemente questionado por parlamentares da oposição que, nas redes sociais, traçaram uma estratégia para mostrar os pontos negativos do pacote de medidas apresentado ao Parlamento. Em mensagens privadas, à quais a reportagem do Correio do Brasil teve acesso, assessores parlamentares comemoravam um entendimento com o Centrão para que estes se retirassem do Plenário e cedessem lugar aos deputados dos partidos socialistas, para que estes apresentassem as razões porque não aprovar a reforma pretendida por Guedes. Setores do ministério detectaram o movimento e optaram por indicar a presença do ministro em um encontro de governadores, arranjado às pressas, onde expôs detalhes sobre a proposta.

— Há mais furos nessa proposta do governo do que um queijo suíço. Os parlamentares de centro não querem entrar na discussão, embora não concordem com o que foi apresentado pela equipe de Guedes. Por isso concordaram em abrir espaço para que a oposição apresente as questões mais sensíveis; a exemplo do corte na remuneração dos aposentados em situação de miséria. Isso é uma indignidade que os deputados de esquerda deixariam evidente — disse um dos interlocutores que articularam o movimento, em condição de anonimato.

Ambiente político

Sem uma base parlamentar capaz de sustentar a proposta, que retira direitos dos trabalhadores, Guedes alegou que o cancelamento do compromisso ocorreu devido à indefinição dos aliados em nomear o relator da matéria, que segue paralisada na Câmara. Na véspera, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara, Felipe Francischini (PSL-PR), disse que esperava o ambiente político se amainar para, nesse momento, promover a indicação. Ele acredita que isso possa ocorrer ao longo da semana.

Os investidores reagiram de imediato à notícia sobre a desistência de Guedes. O dólar passou a subir ante o real chegando a oscilar na casa de R$ 3,87, com receios quanto às negociações para a reforma da Previdência.

“A equipe técnica e jurídica da Secretaria Especial de Previdência e Trabalho estará à disposição para representar o ministro Paulo Guedes na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados para esclarecer pontos da Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A ida do ministro da Economia à CCJ será mais produtiva a partir da definição do relator”, disse o ministério em nota à imprensa.

Incêndio

Líder da oposição na Câmara, o deputado Alessandro Molon (PSB-RJ) avaliou, em nota, que a desistência era “muito ruim”. Molon divulgou a nota, antes mesmo de Guedes avisar que faltaria à sabatina na Câmara.

“A decisão de não vir também impede a Câmara de debater profundamente a proposta e de mostrar alternativas ao governo. Portanto, fugir ao debate nunca é uma boa solução”, disse.

A ida de Guedes à CCJ fora alinhavada entre os parlamentares e o presidente Jair Bolsonaro (PSL), que abriu mais uma frente na guerra que tem travado com o Legislativo. O ministro tenta debelar um incêndio político que queima as chances de aprovação da reforma.

Longo caminho

As trocas de acusações entre o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), um dos principais fiadores da reforma da Previdência, e Bolsonaro, sobre a articulação necessária para fazer a proposta, enfim, caminhar lembram “uma briga de rua”, segundo o vice-presidente da República, general Hamilton Mourão.

A CCJ da Câmara, no entanto, é apenas o primeiro passo na longa jornada da PEC no Congresso. A proposta precisará, ainda, passar por uma comissão especial, na Câmara, para depois ser votada, em dois turnos, no plenário da Casa, onde precisa do apoio de ao menos 308 votos, três quintos dos deputados.

Se passar na Câmara, segue para o Senado, onde outra comissão analisará o texto antes de ser submetida a plenário, também em dois turnos de votação. Qualquer modificação realizada, no Senado, remeterá automaticamente o texto de volta à análise dos deputados, para novo processo de análise e votação.

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