Guerra no Iraque recrudesce após Fallujah

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Publicado segunda-feira, 15 de novembro de 2004 as 12:40, por: CdB

Agrava-se a situação de confronto entre combatentes islâmicos e soldados norte-americanos no Iraque, após a batalha pelo controle de Fallujah, cidade localizada a 50 km a oeste de Bagdá. O combate envolveu mais de 10 mil soldados e deixou um saldo de cerca de 1.200 iraquianos mortos e perto de 40 soldados norte-americanos. Pouco mais de 24 horas depois a luta, os EUA enfrentam agora ataques em cidades onde pensavam ter a situação sob controle, como Mossul, Baquba e Buhriz, também próximas à capital iraquiana.

Segundo observadores militares no teatro de operações, a resistência iraquiana mudou  de tática, abandonou Fallujah, onde se concentram ainda vários grupos rebeldes, comandados pelo líder jordaniano Abu Musab al Zarqawi, e passa a se espalhar por cidades vizinhas. Homens da resistência à ocupação norte-americana atacaram soldados americanos e a polícia iraquiana nesta segunda-feira pela manhã em Baquba e em Buhriz. Segundo fontes oficiais, nove pessoas foram mortas e 15 ficaram feridas, incluindo quatro soldados americanos.

Oficiais americanos disseram que os problemas começaram depois que rebeldes atacaram soldados da 1º Divisão de Infantaria com granadas e armas de pequeno porte, perto de um posto policial, em Baquba. Forças de segurança iraquianas invadiram o local e encontraram granadas, morteiros, armas e munição. Ao mesmo tempo, rebeldes atacaram um posto policial em Buhriz com uma metralhadora e granadas, além de colocarem bombas por toda a estrada.

Carnificina

No sábado à noite, o Exército americano afirmou que 1.200 rebeldes morreram desde o início da ofensiva. A informação foi negada pelo porta-voz do conselho consultivo dos mujahedins de Fallujah, instância dirigente dos rebeldes. Não há informação sobre civis mortos, mas os moradores da cidade dizem que “muitas pessoas” morreram.

O exército autorizou neste domingo, pela primeira vez, a retirada dos corpos de 22 pessoas mortas da região, permitindo o seu enterro em Saqlawijah, na entrada norte da cidade.

Violentos combates foram travados neste domingo entre o exército americano e um grupo de rebeldes no sul de Fallujah, no momento em que a Guarda Nacional iraquiana começava a recuperar o controle de Mossul (cidade no norte do Iraque), que caiu nas mãos dos insurgentes armados desde quinta-feira passada.

– Há entre 50 e 80 combatentes iraquianos e estrangeiros no sudoeste, esperando o ataque final. Quanto mais avançamos para o sul, mais violentos e organizados são os combates – afirmou o tenente Christopher Pimms no sétimo dia da ofensiva a Fallujah, bastião sunita da resistência.

Ele também destaca que os rebeldes não se opõem frontalmente ao fogo inimigo, mas permanecem entrincheirados em edifícios e acompanham os movimentos dos soldados americanos para depois atacar.

– Esperam até o momento adequado para abrir fogo de uma janela e em seguida saem rapidamente antes da nossa resposta e atacam de outro local – disse um outro oficial americano, que pediu para que sua identidade fosse preservada.

Corpos no chão

Numa rua do centro da cidade, os marines encontraram neste domingo o corpo de uma mulher “de tipo caucasiano e cabelos loiros”, degolado e com braços e pernas amputados, segundo um fotógrafo que acompanha as tropas americanas. A mulher usava um vestido azul e seu corpo estava coberto por uma manta. Seu rosto estava desfigurado e o corpo apresentava marcas de mordidas de animais.

Os marines ainda não sabem se o corpo é de uma iraquiana ou estrangeira. Duas estrangeiras casadas com iraquianos foram seqüestradas no fim de outubro no Iraque: a britânica Margaret Hassan, encarregada da ONG Care International, e a polonesa Teresa Borcz. A 20 metros deste local, os fuzileiros americanos encontraram, também na rua, os corpos de um casal abraçado – ela vestida de rosa e ele, com a tradicional túnica árabe (jalabiyah) branca. Estes corpos ta