Haddad cumprimenta adversário mas situação da esquerda fica mais difícil

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Publicado segunda-feira, 29 de outubro de 2018 as 17:23, por: CdB

“Presidente Jair Bolsonaro, desejo-lhe sucesso. Nosso país merece o melhor”, escreveu Haddad. Líder sem-terra, no entanto, mostra que o quadro é mais radical.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Candidato derrotado à Presidência da República, Fernando Haddad usou o Twitter, nesta segunda-feira, para desejar “sucesso” a Jair Bolsonaro no comando do Brasil. Em seu discurso no último domingo, o petista havia falado apenas para seus eleitores, sem parabenizar o postulante do PSL. Já nesta manhã, de “coração leve”, Haddad usou um tom mais conciliatório.

Haddad tenta um papel de proeminência na esquerda, a partir da derrota para o candidato neofascista, Jair Bolsonaro
Haddad tenta um papel de proeminência na esquerda, a partir da derrota para o candidato neofascista, Jair Bolsonaro

“Presidente Jair Bolsonaro, desejo-lhe sucesso. Nosso país merece o melhor. Escrevo essa mensagem, hoje, de coração leve, com sinceridade, para que ela estimule o melhor de todos nós. Boa sorte!”, escreveu. Apesar de derrotado, Haddad tentará se colocar como principal liderança do PT pós-Lula e da oposição ao governo Bolsonaro.

Ofensiva fascista

A tarefa, no entanto, promete ser árdua. As urnas, os discursos e a prática da violência, que se seguiram à vitória do candidato neofascista mostram o nível de dificuldade que as forças de esquerda enfrentarão, nos dias que se seguem.

Para João Pedro Stedile, um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a resistência precisa se organizar. A instituição está sob a mira direta dos seguidores de Bolsonaro.

— Saímos desse processo aglutinados, com capacidade e força organizada para resistir à pretensa ofensiva fascista — afirmou.

Em entrevista à Rádio Brasil de Fato, logo após o encerramento das eleições, Stedile ressaltou que, apesar da derrota eleitoral; a vitória política é do campo progressista, que criou uma forte unidade nas últimas semanas.

Maioria

Na opinião dele, o governo Bolsonaro, com início em 1º de janeiro de 2018, deverá se assemelhar ao governo Pinochet, no Chile, devido a sua natureza fascista.

— É um governo que vai usar todo o tempo a repressão, as ameaças, o amedrontamento. Vai liberar as forças reacionárias que estão presentes na sociedade. Por outro lado, ele vai tentar dar liberdade total ao capital em um programa neoliberal. Porém, essa fórmula é inviável, não dá coesão social e não resolve os problemas fundamentais da população — prevê Stedile. 

O líder sem-terra acrescenta, no entanto, ser necessário, “acima de tudo, ter muita serenidade e entender o contexto da luta de classe e não nos considerarmos derrotados por esse resultado”.

— Ainda que as urnas tenham dado legitimidade ao Bolsonaro, não significa que ele teve a maioria do apoio da população. Há um alto índice de abstenção, 31 milhões. O Haddad teve 45 milhões. Só ai são 76 milhões de brasileiros que não votaram no Bolsonaro — contabiliza.

Divisão

Na opinião de Stedile, “a sociedade brasileira está dividida”.

— Mesmo o resultado eleitoral, do que eu pude acompanhar já nas pesquisas anteriores, ficou claro que quem está apoiando o projeto do Haddad é quem ganha menos, de dois a cinco salários mínimos. Quem tem até o ensino fundamental, e claramente, os mais ricos e abastados, votam no Bolsonaro — adiciona.

Stedile, no entanto, avalia que “houve uma divisão eleitoral clara, geograficamente”.

— Quando olhamos para o mapa do Brasil com os governadores eleitos, temos 12 candidatos progressistas do campo popular que vai desde o Pará até o governador Renato Casagrande (PSB) no Espírito Santo. O Nordeste e aquela parte da Amazônia são um polo de resistência geográfico que demonstram claramente que aquela população não quer seguir os rumos do projeto fascista de Bolsonaro — afirmou.

Ameaças

Em um breve balanço dos resultados eleitorais, “a última semana consagrou uma vitória política da esquerda e dos movimentos populares. Tivemos inúmeras manifestações de todas as forças organizadas. Sindicatos, intelectuais, estudantes, universidades”, disse.

Apesar das bravatas de Bolsonaro, Stedile recomenda cautela na intenção do presidente eleito de tipificar o MST e o MTST como organizações terroristas.

— O governo Bolsonaro vai se assemelhar, se fizermos um paralelo, com que foi o governo Pinochet no Chile. Não pela forma que chegou, mas pela sua natureza fascista. É um governo que vai usar todo o tempo a repressão, as ameaças, o amedrontamento. Vai liberar as forças reacionárias que estão presentes na sociedade. Por outro lado, ele vai tentar dar liberdade total ao capital em um programa neoliberal. Porém, essa fórmula é inviável, não dá coesão social e não resolve os problemas fundamentais da população — afirmou.

Direitos trabalhistas

O Brasil, segundo o líder sem-terra, vive uma grave crise econômica “que é a raiz de todo esse processo”. Desde 2012 o país não cresce. Portanto, ao não crescer, ao não produzir novas riquezas, “os problemas sociais, econômicos e ambientais só vão aumentando”, comentou.

— Ele com seu programa ultraliberal, de apenas defender os interesses do capital, pode até ajudar os bancos, fazer com os bancos continuem tendo lucro, pode ajudar as empresas transnacionais para que tomem de assalto o resto do que nós temos aqui; porém, ao não resolver os problemas concretos da população de emprego, de renda, de direitos trabalhistas, de previdência, de terra, de moradia, isso vai aumentando as contradições. Isso irá gerar um caos social que permitirá aos movimentos populares retomar a ofensiva, as mobilizações de massa — concluiu.

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