Haddad aponta manobra ‘do porão’ para tomar o país se Bolsonaro vencer

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Publicado terça-feira, 23 de outubro de 2018 as 15:13, por: CdB

Em suas últimas entrevistas, Haddad levanta a tese de que o general Mourão será o presidente de fato, no lugar de Bolsonaro.

Por Redação – do Rio de Janeiro e São Paulo

Há apenas 100 horas da decisão, nas urnas, quanto ao próximo presidente do Brasil, o candidato do PT — em segundo lugar nas pesquisas, com uma diferença de mais de 10 pontos percentuais (pp) —, professor Fernando Haddad, tenta multiplicar a mensagem que ficou fora de foco ao longo da curta campanha eleitoral deste ano e passou a alertar para o risco de um aprofundamento do golpe de Estado, em curso. Agora, na esfera militar.

Ao programa 'Roda Viva', Haddad levantou a hipótese de um movimento militar radical, disposto a governar o país com mão de ferro
Ao programa ‘Roda Viva’, Haddad levantou a hipótese de um movimento militar radical, disposto a governar o país com mão de ferro

Tanto na entrevista que concedeu, na noite passada, à emissor estatal do governo paulista, TV Cultura, quanto ao jornal O Globo, precursor do poderio das Organizações Globo, no setor das Comunicações, o candidato petista alertou o que o decano dos jornalistas brasileiros, Helio Fernandes, já havia afirmado em artigo publicado na edição desta terça-feira do Correio do Brasil.

Vice torturador

Ou seja, a linha dura do movimento militar, com integrantes do porão da ditadura que permaneceu por 20 anos no comando do país, estará de volta em uma possível vitória da chapa neofascista, liderada pelo general de Exército Hamilton Mourão.

— Sei que há, por trás do Bolsonaro, pessoas nas quais não tenho nenhuma confiança que tenha compromisso com a democracia. Como candidato a presidente da República, não posso ter medo, mas como pessoa física fico com medo de ter um vice(-presidente) torturador — afirmou Haddad, em entrevista aos jornalistas d’O Globo.

Brilhante Ulstra

O líder petista referia-se à declaração do cantor e compositor Geraldo Azevedo, que denunciou em um show, na noite passada, ter sido torturado durante os anos de chumbo. Ele citou o general Mourão, que nega ter participado dessa sessão de tortura. Na época dos fatos, segundo Mourão, ele ainda estudava na Academia Militar das Agulhas Negras (AMAN), em Resende, interior do Estado do Rio.

O tema, no entanto, tem sido recorrente. Mourão, em nenhum momento, nega sua admiração pela figura do general Carlos Alberto Brilhante Ulstra, denunciado por torturar prisioneiros políticos até a morte, na frente de crianças, filhos dos torturados. Entre eles a presidenta deposta Dilma Rousseff (PT).

Despreparado

Haddad já havia citado o fato de que “o porão”, referindo-se às forças de ultradireita que habitam os escaninhos das Forças Armadas, está presente na campanha do adversário. Ao Roda Viva, o professor de Ciência Política da Universidade de São Paulo falou sobre o risco que uma possível vitória de Bolsonaro significará à democracia brasileira.

— Estamos alertando o Brasil. Meu adversário tem como principal herói o mais bárbaro torturador da ditadura militar. Ele não respeita a redemocratização. As qualificações dele não o habilitam pra governar o país em uma democracia — diz Haddad.

O histórico golpista, segundo Haddad, está presente no discurso do adversário.

— O autoritarismo não nos interessa. Nem pela direita, nem pela esquerda. Tanto que os democratas estão em defesa da nossa candidatura — afirmou.

Mensagens ilícitas

E frisou o alerta aos brasileiros quanto à ameaça à liberdade, no país.

— Meu adversário está defendendo a morte das pessoas e o seu filho quer declarar guerra a Venezuela, Numa campanha cabe alertar. Você  acha que os sociais democratas alemães erraram ao avisar sobre o perigo de Hitler assumir o poder? — questiona.

O caminho do crime eleitoral, tomado pela candidatura do adversário, segundo Haddad, está demonstrado nas denúncias de caixa 2 contra a campanha de Bolsonaro. Ele citou as acusações de que a campanha do seu adversário usaria pagamentos ilegais para propagar notícias falsas pelo WhatsApp.

— Temos uma estimativa de cerca de 13 milhões de mensagens falsas contra mim e a minha vice patrocinadas por caixa dois — concluiu.