Higiene bucal pode ajudar a prevenir complicações da covid-19

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Publicado quarta-feira, 22 de abril de 2020 as 10:35, por: CdB

Diante da pandemia do novo coronavírus, uma das maiores preocupações é cuidar da higiene, principalmente das mãos. Mas a higiene bucal também deve ser intensificada, já que uma das portas principais de entrada do vírus é a boca.

Por Redação, com ABr – de Brasília

Diante da pandemia do novo coronavírus, uma das maiores preocupações é cuidar da higiene, principalmente das mãos. Mas a higiene bucal também deve ser intensificada, já que uma das portas principais de entrada do vírus é a boca.

Higienização correta pode evitar até mesmo problemas pulmonares
Higienização correta pode evitar até mesmo problemas pulmonares

Manter uma boa higiene bucal é também importante forma de prevenção de doenças nesta pandemia. E o cuidado redobrado com a higiene das mãos é de extrema importância para a saúde bucal. “Como as mãos vão ser imprescindíveis para o uso do fio dental, do higienizador da língua e da escova de dentes, é importante que estejam bem limpas, para que a gente possa levá-las até a cavidade bucal”, explica o professor Vinícius Pedrazzi, da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp), da Universidade de São Paulo (USP).

O professor esclarece que o estado de saúde do paciente que tenha contraído a covid-19 pode ser agravado, caso sua higiene bucal não seja realizada da maneira correta. Ele lembra que uma boa higienização da boca pode evitar, principalmente, problemas pulmonares que tornam a doença ainda mais perigosa.

– É muito importante que nós façamos a higienização correta da língua e de todos os dentes, mas com cuidado muito especial para os molares, aqueles mais próximos da faringe, para evitar a pneumonia por aspiração. Então, para prevenir quem está com coronavírus, e mesmo quem não tenha a doença, do agravamento de infecções pulmonares, é imprescindível a higienização bucal correta – destacou.

Escova dental

Outro alerta de Pedrazzi é para a troca da escova dental, que deve ser feita sempre que uma pessoa estiver se recuperando de alguma infecção, para evitar risco de recontaminação, além do uso diário do fio dental e do enxaguante bucal.

O professor diz que essas medidas são específicas para a higiene bucal durante esse período do novo coronavírus, mas que devem ser levadas para o resto da vida, já que a qualquer momento as pessoas podem ser infectadas por outro vírus.

Outra dica importante é a forma correta de cuidar das escovas dentais e dos higienizadores de língua, mantendo-os imersos em solução desinfetante, à base de água e enxaguante bucal, para evitar a reinfecção após cada uso.

Aumento do consumo de álcool

O aumento do consumo de álcool durante o período de isolamento social provocado pela pandemia do novo coronavírus é preocupante, alertou, em entrevista à Agência Brasil, a presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e Outras Drogas (Abead), Renata Brasil Araújo.

Ela esclarece que, inicialmente, a bebida parece trazer euforia, mas que, depois, diminui a ativação do freio do cérebro, chamado de lobo pré-frontal. As pessoas ficam com efeitos de mais sedação, mas um efeito colateral é o aumento da impulsividade. E ficando sem freio, pode ocorrer um aumento de violência doméstica e de feminicídio, porque a pessoa está trancada em casa.

– Como essa parte do freio do cérebro não está funcionando muito bem, a pessoa fica mais impulsiva, mais intolerante. Se houver intervenção de alguém da família no sentido de parar de beber, isso por si só já gera um descontentamento e uma reação – advertiu a presidente da Abead.

Há uma semana, a Organização Mundial da Saúde (OMS) também manifestou a sua preocupação. “O álcool não protege contra a covid-19, o acesso deve ser restrito durante o confinamento” é o título de um artigo que a entidade publicou em seu endereço oficial na Internet.

Renata Brasil Araújo destacou que o crescimento do consumo de álcool doméstico acontece em um momento de isolamento, quando o acesso ao tratamento de dependências químicas está mais difícil. Além disso, segundo ela, algumas pessoas que aumentaram o consumo da bebida durante a reclusão podem manter esse hábito pós-quarentena e, a longo prazo, isso pode vir a se transformar em uma dependência, que tem um componente biopsicossocial.

– Aquelas pessoas que já têm uma vulnerabilidade biológica e uma predisposição genética para o alcoolismo, junto com uma capacidade emocional mais frágil estão mais suscetíveis a seguirem bebendo após a quarentena e se transformarem em dependentes do álcool, sim – analisou.

Atendimento on-line

Preocupada com o crescimento do consumo do álcool no país, a Abead lançou a campanha #sejaluz, para mostrar coisas positivas na internet, como os botecos virtuais, e orientando a respeito dos cuidados não apenas com o álcool, mas com o tabaco e outras drogas nessa fase de quarentena. “Porque é algo que a gente, provavelmente, vai pagar um custo para isso” acrescenta Renata Brasil Araújo.

Em outra frente, a Abead montou um trabalho voluntário com psiquiatras associados para atender, gratuitamente, até o próximo dia 26, dependentes químicos e seus familiares, pelas redes sociais. O foco são as pessoas de baixa renda que não teriam acesso a tratamento no curto prazo e que na ação recebem orientação em casa.

O serviço é acessado no ‘Facebook’ e no ‘Instagram’, da associação, ou pelo número de ‘Whatsapp’: 51-980536208. Onde as pessoas podem marcar consulta e recebem o telefone do terapeuta, psicólogo ou psiquiatra. O atendimento é diariamente, das 8h às 22h.

Alcoolismo

Especializado no tratamento de dependentes químicos, o psiquiatra Jorge Jaber disse que, durante esse momento inédito em que o isolamento é imposto como forma de prevenção de uma doença, “as pessoas passaram a trazer para dentro de casa hábitos que tinham na rua, como o de beber socialmente”. Soma-se, ainda, possíveis dificuldades econômicas e muita ansiedade.

Jaber ressaltou também que, por conta do distanciamento social, muitos dependentes do álcool estão sem o suporte das reuniões presenciais de grupos de apoio, como os Alcoólicos Anônimos. “É importante lembrar a essas pessoas que as reuniões podem ser acompanhadas através do site da organização”, destacou.

Em entrevista à Agência Brasil, o psiquiatra ressaltou ainda que o consumo fora do controle de bebida alcoólica gera enfraquecimento na defesa do corpo, no sistema imunológico, favorecendo assim a contaminação de doenças, como a covid-19.

Violência

A promotora de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Lucia Ilózio, disse que alguns fatores podem agravar a violência doméstica contra a mulher. “Um deles é o consumo exagerado de bebidas alcoólicas. Esse elemento presente da bebida alcoólica pode favorecer, sim, uma maior exteriorização dessa violência”, disse.

Lucia Ilózio afirmou que existem outros fatores de risco, mas o consumo de álcool e drogas se destacam. Ela lembra que muitas mulheres, no isolamento social, não conseguem fazer denúncias, gerando assim subnotificações.

Existem locais de acolhimento às mulheres que sofrem agressões mesmo em tempo de quarentena. Um desses serviços é o Centro Especializado de Atendimento à Mulher (CEAM) Chiquinha Gonzaga, que está aberto das 10h às 14h e faz orientação por telefone e o primeiro atendimento mediante agendamento. O número que pode ser acessado é o 995552151 ou o ‘e-mail’ ceamcg.smasdh@gmail.com.

As delegacias de atendimento à mulher (DEAMs) também estão funcionando e há possibilidade de fazer o registro ‘online’. Lúcia Ilózio orienta que a vítima deve narrar a violência que sofreu, indicar testemunhas e apresentar provas, como fotos, ‘print’ de mensagens, documentos, entre outras. O registro pode ser feito no endereço (https://dedic.pcivil.tj.gov.br).

O Núcleo de Defesa da Mulher Vítima de Violência de Gênero (NUDEM) da Defensoria Pública também segue funcionando pelo número 972268267 e no endereço eletrônico: nudem.defensoriaj@gmail.com. O atendimento é feito das 11h às 18h, de segunda a sexta-feira. Após esse horário e aos sábados e domingos, o serviço pode ser acessado pelo telefone de plantão (31332247) e ‘Whatsapp’ (997534066) ou pelo endereço plantãodpge@yahoo.com.br.

Devido às restrições de locomoção do plano de emergência para conter a disseminação do coronavírus, as comunicações são feitas por formulário, na Internet. Em casos de urgência, pode-se ligar ainda para o número 190, da Polícia Militar.