Historiador prega distribuição de dinheiro para todos os seres humanos

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Publicado sábado, 22 de setembro de 2018 as 17:30, por: CdB

A solução que apresenta para “esse e outros males de nosso tempo é largamente discutida em sua obra: dar dinheiro de graça para todos, ou seja, um programa de renda mínima universal”.

 

Por Redação – de São Paulo

 

Para o historiador holandês Rutger Bregman, se o mundo não mudar a relação com o trabalho e o dinheiro, os arqueólogos do futuro ficarão espantados ao estudar a civilização.

— Quem, nos próximos séculos, tentar entender como nosso mundo funcionava vai se deparar com uma religião estranha que fazia bilhões de pessoas se trancarem em cubículos por horas fingindo fazer algo importante, enquanto escreviam relatórios que ninguém iria ler e enviavam emails para quem não gostavam — disse o intelectual à reportagem de um dos diários conservadores paulistanos, em visita ao Brasil para o lançamento do livro Utopia para Realistas.

Todos os seres humanos deveriam receber uma certa quantia em dinheiro, afirma o historiador Rutger Bregman
Todos os seres humanos deveriam receber uma certa quantia em dinheiro, afirma o historiador Rutger Bregman

A solução que apresenta para “esse e outros males de nosso tempo é largamente discutida em sua obra: dar dinheiro de graça para todos, ou seja, um programa de renda mínima universal”, acrescenta a reportagem.

Preguiçosos

“Entre as razões que aponta para que a ideia vire realidade, além de desobrigar pessoas a trabalharem com o que não querem, está a defesa de que distribuir dinheiro diminui a criminalidade, melhora a saúde da população e permite a todos investir em si mesmos.
Um grande desafio para conseguir isso é o valor moral associado ao trabalho e o medo de que, dando o mínimo para sobreviver, as pessoas se tornariam preguiçosas”, pontua.

— Precisamos de liberdade para fazer escolhas. A renda mínima será como ‘venture capital’ (investimento para startups) para o povo, dará a todos a oportunidade de tomar riscos. Isso vai gerar uma onda de empreendedorismo — disse.

No fim

Bregman cita, em seu livro, “uma série de exemplos de como moradores de rua, índios e populações em regiões vulneráveis se desenvolveram ao passar a receber dinheiro sem que fosse pedido nada em troca. Para ele, quanto menos burocracia e exigências, melhor”.

“No livro, Bregman não se preocupa muito em explicar questões práticas, do tipo por onde começar, quanto cada um deveria receber e quais seriam os efeitos disso na economia”, diz o texto.

— Todas as grandes conquistas da civilização, como o fim da escravidão, o voto universal, os direitos das mulheres, foram utopias em algum momento. Intelectuais e escritores devem ser irrealistas, porque, no fim, são essas pessoas que estarão certas — conclui o escritor.

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