Hospitais de Bagdá estão à beira do caos

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Publicado sábado, 5 de abril de 2003 as 20:22, por: CdB

O Comitê Internacional da Cruz Vermelha informou neste sábado que centenas de iraquianos feridos foram atendidos em quatro hospitais de Bagdá desde que as forças americanas chegaram à periferia da cidade, na última quinta-feira (3). Segundo o porta-voz da Cruz Vermelha, Florian Westphal, “a situação em Bagdá está ficando cada vez mais difícil agora que há luta na cidade”.

Os hospitais têm problemas para enfrentar a situação, sobretudo por conta da continuidade do blecaute que teve início na última sexta-feira (4) e os obrigava a trabalhar com geradores. “Este é um fator que limita a realização de cirurgias”, disse Westphal. “Os hospitais estão chegando ao limite de sua capacidade.”

Os estoques de medicamentos estão no fim. Em alguns casos, os cirurgiões são forçados a amputar membros de crianças e adultos atingidos pelos bombardeios sem anestesia. Também há falta de analgésicos e antibióticos.

O capitão Matt Watt, porta-voz de uma unidade dos fuzileiros navais americanos, disse que estão fazendo o possível para evitar atingir civis, mas reconheceu que a tomada da cidade inevitavelmente aumentará o número de mortes. “É muito difícil saber quem são os inimigos. Se temos de trazer o inimigo para fora, infelizmente isso será à custa de vidas de civis, não intencionalmente.”

A Cruz Vermelha lamentou a demolição de uma ponte na principal estrada que conduz ao sul do país, pois isso dificultou o acesso aos hospitais de Hilla, Kerbala, Nasiriya e Najaf. Segundo o governo iraquiano, 1.252 civis foram mortos e mais de 5.100 feridos desde o início do ataque, no dia 20. Estados Unidos e Grã-Bretanha confirmam a morte de 102 de seus soldados nos 17 dias da guerra – 75 americanos e 27 britânicos.