Huawei conquista vitória importante no Brasil

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Publicado quinta-feira, 2 de abril de 2020 as 10:02, por: CdB

 

Brasil libera participação da empresa chinesa no leilão de 5G. Decisão é fiasco para Trump e seus lobistas no Brasil, entre eles Eduardo Bolsonaro.

Por Redação, com DW – de São Paulo

Era um lance para ganhar as manchetes dos jornais de economia de todo o mundo, mas, em tempos de coronavírus, quase passou despercebido: o Brasil não fará qualquer restrição à empresa chinesa Huawei no leilão para a instalação da tecnologia 5G. É o que diz o Diário Oficial.

Brasil libera participação da empresa chinesa no leilão de 5G
Brasil libera participação da empresa chinesa no leilão de 5G

Para impedir que algum limite fosse imposto no último minuto à empresa chinesa, líder de mercado, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, general Augusto Heleno, deixou até mesmo sua quarentena. Heleno, que é próximo do presidente Jair Bolsonaro, chefia a comissão interministerial que há meses debate se a Huawei deve ou não participar da licitação.

Em jogo está um dos principais mercados futuros da telefonia. Índia, Brasil e México são os três países que vão liderar a mudança para o 5G nos mercados emergentes, afirmou o site Business-Insider. “Esses países estão entre os maiores mercados do mundo e também entre os de mais rápido crescimento, com taxas de adoção de novas tecnologias bem maiores do que em outros países emergentes.” A licitação brasileira é, atualmente, a maior do mundo para a quinta geração de telefonia. O leilão foi adiado uma vez e deverá ocorrer no fim de 2020.

A surpreendente decisão é o novo capítulo de uma longa querela política. O governo dos EUA, Donald Trump, pressionou o Brasil para deixar a Huawei de fora da modernização da telefonia móvel brasileira, com o argumento, para o qual não há provas, de que o governo da China usa a tecnologia da empresa para fins de espionagem.

Por isso, países parceiros dos EUA, como o Brasil do presidente Jair Bolsonaro se considera, deveriam reduzir ou, melhor ainda, eliminar a presença da Huawei em sua rede de telefonia. Trump colocou esse tema na agenda de todos os encontros que teve com Bolsonaro.

Brasil e China

O deputado Eduardo Bolsonaro, filho do presidente, é um dos principais lobistas pela exclusão da Huawei da rede de telefonia móvel brasileira. O ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, também acusa frequentemente a China de conspiração comunista e é crítico em relação a qualquer cooperação com o país asiático. Até poucos dias atrás, a mídia brasileira dizia que o Brasil provavelmente seguiria a decisão do Reino Unido, onde a Huawei não poderá fornecer material para o núcleo das redes e, no todo, não mais do que um terço da infraestrutura. Beneficiadas serão as concorrentes europeia Ericsson, da Suécia, e Nokia, da Finlândia.

Mas, no Brasil, foram justamente os dedicados lobistas de Trump que provocaram a virada a favor da Huawei: há alguns dias, Eduardo Bolsonaro colocou na China a culpa pela crise mundial causada pelo novo coronavírus. O embaixador chinês no Brasil reagiu de forma inusualmente agressiva e nada diplomática e exigiu um pedido de desculpas.

Jair Bolsonaro teria telefonado várias vezes para o presidente da China, Xi Jinping, para tentar acalmar a situação, pois o lobby agrícola e de mineração no Brasil temia que a briga entre Eduardo e a China traria prejuízos para os seus negócios. O Brasil exporta não apenas a maior parte de sua produção agrícola para o gigante asiático, mas também de minério de ferro e petróleo, a China é, de longe, o principal comprador. Além disso, a China se tornou um importante investidor em energia e logística. E a economia brasileira caminha, de novo, para uma recessão. Numa hora dessas, ninguém quer uma briga com o seu principal parceiro comercial.

As declarações

Ao mesmo tempo, o vice-presidente Hamilton Mourão tentou minimizar o episódio, na linha “não se deve levar tão a sério o que o filho do presidente, que não tem nenhum poder executivo, diz”. As declarações de Mourão foram um sinal de paz na direção da China. No ano passado, o vice já se empenhara pelas relações entre os dois países com várias viagens para o país asiático. Ele também disse várias vezes não haver nenhum impedimento para a participação da Huawei na licitação de 5G. Até porque metade do hardware da telefonia móvel brasileira já é composto por material da Huawei.

A participação ilimitada da Huawei no leilão brasileiro de 5G é uma importante vitória para a China na luta mundial por padrões e domínio industrial. Para os EUA, é um fiasco doloroso, que Trump provavelmente não vai deixar por isso mesmo. Tudo indica que história não vai acabar aqui.

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