Ideias de jerico: trocar Bolsonaro por Mourão e escolher candidatos agora

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Publicado quinta-feira, 6 de junho de 2019 as 13:12, por: CdB

A primeira delas é que já deu. Com Bolsonaro não há a menor condição do país seguir adiante, tal sua inépcia, rolos familiares em cascata.

 

Por Artur Araujo e Gilberto Maringoni – de São Paulo

 

Há na praça duas ideias de jerico. Ambas são lógicas e sedutoras, como convém às boas ideias de jerico. Por serem sedutoras, atraem gente bem intencionada e pescadores de águas turvas, interessados em azedar o ambiente em seu favor. Por serem de jerico, esboçam um desastre se forem levadas adiante.

Mourão (D) não conversa abertamente com Bolsonaro desde as eleições, em outubro do ano passado
Bolsonaro e Mourão têm projetos idênticos, tanto na política quanto na economia

A primeira delas é que já deu. Com Bolsonaro não há a menor condição do país seguir adiante, tal sua inépcia, rolos familiares em cascata e a aberta inaptidão para pensar em algo além de quanto é 7 X 8.

A segunda aponta que, diante da previsível tunda que espera o governo e seus aliados nas eleições municipais de 2020, a tarefa imediata das oposições é buscar candidaturas unitárias no maior número possível de municípios.

Conjuntura

As duas articulações – com suas plantações na imprensa – vêm à tona neste início de semana, após o estrondoso sucesso das manifestações do 30M, da Marcha da Maconha e do Festival Lula Livre, em São Paulo.

Acontecem também no rastro de três reveses oficiais no período: a divulgação do desastroso PIB do primeiro trimestre; do malogro do pacto tentado pelo chefe das milícias com o Congresso, com o Supremo e com tudo e dos resultados adversos das bizarras marchas bolsonaristas, em 26 de maio.

Como se não bastasse, tudo se dá nos dias que precedem a greve geral de 14 de junho, que tudo indica ser de porte e alcance muito poderosos. Ou seja, a trama se dá em uma conjuntura pra lá de carregada.

São dois
movimentos
perigosos para
o povo

A saída de Bolsonaro é clara costura golpista, envolta no papel celofane de uma boa ação. Poderia ser chamada de “Operação Jaburu”, um súbito frenesi proveniente da direita — capaz de atrair incautos democratas — pela troca de guarda no Planalto.

Alguns até marcaram data, julho próximo. Interditado o celerado, bastão, chave do cofre, caneta do Diário Oficial e comando-em-chefe das FFAA seriam transmitidos ao general de cabelos tingidos.

Estragos

Hamilton Mourão tem passado por um eficiente banho de loja, no qual se apagam seus arreganhos golpistas de um ano atrás, seus elogios a Brilhante Ustra e suas ligações com o Departamento de Defesa dos EUA. Em seus lugares, desenha-se a imagem de afável e sensato general do diálogo.

Tirar um celerado para aboletar na Presidência um quadro muito bem formado, para executar exatamente o mesmo programa de desmonte e entrega só pode atender às viúvas precoces do bolsonarismo. Entre essas estão o capital financeiro, a grande mídia e uma vasta legião de empresários que miravam prosperidade através da rapina dos pobres.

Focando exclusivamente em seus ganhos pessoais, deram escada, palco, tela, ombro amigo, golpe e bufunfa para J. Messias chegar onde jamais teria chegado por forças próprias.

Por sua vez, a definição antecipada de candidaturas a prefeito antes que se consolide a frente ampla antibolsonaro, antirreformas e anti destruição do Estado tem potencial para abalar sua formação de fato. Além disso, introduz pauta diversionista em relação às convergências que se desenham a duras penas para conter os arreganhos do governo — contra direitos, empregos, serviços públicos, salários, democracia — e de reverter o máximo possível os estragos já causados.

Projeto

Ambos movimentos — e as ilusões a eles associadas — são perigosas pescarias em águas turvas, como falado no início. Podem trazer na fisga do anzol um resultado oposto ao que as ruas passaram a exigir.

Lamentavelmente, não há atalhos. O essencial agora é seguir o que as grandes mobilizações apontam: investir contra o projeto da extrema-direita no poder. Este se concretiza em destruir a Educação, acabar com as aposentadorias e desmontar os serviços públicos e o Estado.

Miremos na essência da disputa e não na embalagem. Miremos no projeto da coalizão extremista e não tentemos resolver um problema da direita, que não consegue aplicá-lo a contento.

Artur Araujo é consultor em gestão pública e privada;
Gilberto Maringoni é jornalista.

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