Igualdade racial, tolerância religiosa, a primeira noite do Grupo Especial em SP

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Publicado sábado, 18 de fevereiro de 2023 as 11:57, por: CdB

Para se ter uma ideia da competitividade, nas últimas cinco disputas, o carnaval paulistano teve três campeãs inéditas. Em 2017, a Acadêmicos do Tatuapé foi a grande campeã pela primeira vez, e repetiu o feito em 2018. Em 2019 foi a vez da Mancha Verde conquistar o primeiro título.

Por Redação, com Brasil de Fato – de Brasília

A primeira noite dos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial de São Paulo, na noite de sexta-feira vai apresentar grande diversidade de temas nos enredos. O Sambódromo do Anhembi vai receber sete agremiações que vão em busca do título em uma disputa que promete ser equilibrada.

Acadêmicos do Tatuapé está entre as escolas que desfilam nesta sexta-feira em São Paulo

Para se ter uma ideia da competitividade, nas últimas cinco disputas, o carnaval paulistano teve três campeãs inéditas. Em 2017, a Acadêmicos do Tatuapé foi a grande campeã pela primeira vez, e repetiu o feito em 2018. Em 2019 foi a vez da Mancha Verde conquistar o primeiro título. Em 2020, a Águia de Ouro conquistou o troféu inédito. Após a suspensão dos desfiles em 2021 por causa da pandemia, a Mancha Verde venceu novamente em 2022.

Independente Tricolor

Vice-campeã do Grupo de Acesso em 2022, a Independente Tricolor volta neste ano ao Grupo Especial sonhando com a primeira conquista. A escola, ligada a uma torcida organizada do São Paulo Futebol Clube, vai abrir os desfiles do grupo especial e tem previsão de entrar na avenida às 23h15. O enredo vai falar sobre uma das histórias de guerra mais contadas de todos os tempos: a Guerra de Troia, e promete agradar a gregos e troianos. “Sem medo chega o presente grego, dentro dele um segredo: a flecha que tarda, certeira, não falha”, diz um trecho do samba. 

Acadêmicos do Tatuapé

A segunda escola da noite é a Acadêmicos do Tatuapé. A agremiação da zona leste da capital paulista vai homenagear a cidade de Paraty, no litoral do Rio de Janeiro. “O carnaval de São Paulo, nos últimos anos, virou muito ‘sacana’ pra quem tenta escolher favoritismo. A gente teve muitas escolas sendo campeãs pela primeira vez, isso desde a Acadêmicos do Tatuapé quando ganhou e foi considerada uma zebra”, disse o jornalista Thiago Calil, que já atuou como comentarista em desfiles, relembrando as conquistas de 2017 e 2018, que agora a escola tenta repetir.

Barroca Zona Sul

A Barroca Zona Sul, conhecida como “Faculdade do Samba”, vai ser a terceira a se apresentar e vai contar a história dos indígenas Guaicurus, originários da região do Pantanal e que enfrentaram invasores espanhóis e portugueses em defesa de suas terras. “Tem um lugar de reconexão com esses enredos históricos, da população negra, da diáspora africana, das religiões de matrizes africanas, dos povos originários. A Barroca Zona Sul vai falar dos Guaicurus, que também essa conexão com os povos originários, que as escolas de samba sempre tiveram”, afirma o escritor, sambista e sociólogo Tadeu Kaçula. A escola vai em busca do primeiro título.

Unidos de Vila Maria

Também sonhando com uma conquista que seria inédita, a Unidos de Vila Maria será a quarta escola a se apresentar nesta sexta, e falará sobre sua própria história com o enredo “Vila Maria, Minha Origem, Minha Essência, Minha História! Muito Além do Carnaval”. Fundada em 1954, a agremiação está perto de completar 70 anos. “O meu lugar toca samba de primeira, é a cadência que faz a vila sambar. Um bem querer, é paixão pra vida inteira, foi lá que eu aprendi a batucar”, diz o samba-enredo.

Rosas de Ouro

Uma das maiores vencedores do carnaval paulistano, com sete títulos, a Rosas de Ouro quer trazer de volta para casa um troféu que não conquista desde 2010. Para isso, leva para a avenida o enredo “Kindala! – Que o amanhã não seja só um ontem com um novo nome”. Quando fez a apresentação do tema, a escola afirmou que “exaltará a luta, a força e as conquistas do povo negro através dos tempos, desde seus ancestrais escravizados até os dias atuais, com a incessante busca por igualdade e respeito”.

Tom Maior

Na sequência, mais uma temática ligada à população negra: a Tom Maior traz à avenida o enredo “Um culto às mães pretas ancestrais”. A escola da zona oeste da capital paulista jamais foi campeã em 50 anos de história, e tenta quebrar essa marca. “Eu acho que Rosas de Ouro, Tom Maior, Mocidade, Império de Casa Verde, são escolas que têm tudo para trazer um desfile que vai marcar, que vai emocionar, que vai puxar além do plástico, vai mexer com o coração das pessoas ali”, aponta o jornalista Thiago Calil. Mocidade e Império desfilam no sábado (18).

Gaviões da Fiel

Fechando a primeira noite de desfile, a Gaviões da Fiel, ligada a uma torcida organizada do Corinthians, vai falar sobre tolerância religiosa. Tetracampeã do carnaval paulistano, a escola não conquista o título desde 2003, e, para tentar romper o jejum, leva à avenida um enredo sobre tolerância religiosa: “Em Nome do Pai, Dos Filhos, Dos Espíritos e Dos Santos… Amém!”. A ideia é apresentar, na avenida, a ideia de que todas as religiões buscam a Deus, mesmo que essa busca aconteça de maneiras distintas.

Ordem dos desfiles do carnaval paulistano – Grupo Especial – Sexta, 17 de fevereiro

23h15 – Independente Tricolor
00h20 – Acadêmicos do Tatuapé
01h25 – Barroca Zona Sul
02h30 – Unidos de Vila Maria
03h35 – Rosas de Ouro
04h40 – Tom Maior
05h45 – Gaviões da Fiel

 

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