Ilha artificial para captação de energia limpa ajuda Dinamarca a alcançar meta

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Publicado terça-feira, 23 de março de 2021 as 14:46, por: CdB

A Dinamarca é um dos maiores produtores de petróleo da União Europeia, mas a meta do país é que a ilha ajude no processo gradativo de renovação da matriz energética. O pequeno país nórdico já anunciou que pretende encerrar a exploração de petróleo em 2050.

Por Redação, com agências internacionais – de Copenhage

A demanda mundial por energia limpa levou a Dinamarca a anunciar, nesta terça-feira, a construção de uma ilha artificial, que se somará à matriz energética do país, como centro de geração de energia limpa. Em pleno funcionamento, a ilha fornecerá energia limpa para residências e hidrogênio verde para uso em navios, aviação, indústria e transporte pesado.

A ilha artificial, construída na costa da Dinamarca, se somará às fontes de energia limpa do país

O início do processo ocorre no momento em que a União Europeia (UE) divulgou planos para transformar o fornecimento de eletricidade do bloco. A UE pretende usar energia renovável, majoritariamente, dentro de uma década, enquanto aumenta a capacidade de energia eólica offshore em cerca de 25 vezes até a metade do século.

A agência britânica de notícias British Broadcasting Company (BBC) afirma que “a primeira ilha de energia do mundo terá o tamanho de 18 campos de futebol (120.000 m²), mas há esperança de torná-la três vezes maior. Ela servirá como um hub para 200 turbinas eólicas offshore gigantes. É o maior projeto de construção da história dinamarquesa, custando cerca de US$ 34 bilhões”.

A Dinamarca é um dos maiores produtores de petróleo da União Europeia, mas a meta do país é que a ilha ajude no processo gradativo de renovação da matriz energética. O pequeno país nórdico já anunciou que pretende encerrar a exploração de petróleo em 2050, e já não oferece novas licenças para a exploração de combustíveis fósseis.

Energia eólica

O território dinamarquês, com vento favoráveis e de alta velocidade, foi um pioneiro em energia eólica onshore e offshore, construindo o primeiro parque eólico offshore do mundo há quase 30 anos. A localização favorável também ajuda. Os níveis de água ao redor da costa dinamarquesa são rasos, o que torna mais fácil e barato construir parques eólicos no oceano — chamados de offshore.

Produto da agência norte-americana Bloomberg, a revista Green relata que a Dinamarca obtém 40% de sua eletricidade da energia eólica. O país também abriga o maior produtor de turbinas eólicas do mundo, a Vesta Wind Systems, e o maior desenvolvedor mundial de energia eólica offshore, Orsted AS.

Na ilha de energia a ser construída ficará consolidada uma parte importante da meta legalmente obrigatória do país de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 70% dos níveis de 1990 até 2030. Segundo a agência alemã de notícias Deutsche Welle, “ainda não há data para o início da construção. A ilha será controlada pelo governo que já anunciou planos para uma segunda ilha de energia no Mar Báltico”.

Efeito estufa

Localizada a 80 km (50 milhas) do mar, a ilha artificial será ao menos 50% de propriedade do Estado, mas o setor privado participará do empreendimento. Segundo a Lei do Clima da Dinamarca, o país se comprometeu a uma ambiciosa redução de 70% nas emissões de gases de efeito estufa de 1990 até 2030 e a se tornar neutro em relação ao CO2 até 2050.

Uma ilha menor de energia foi planejada para se situar ao largo de Bornholm, no Mar Báltico, a leste da Dinamarca continental. Já foram assinados acordos para o fornecimento de eletricidade de lá para a Alemanha, Bélgica e Holanda.

Em novembro passado, a União Europeia anunciou planos para um aumento de 25 vezes na capacidade eólica offshore até 2050, com um aumento de cinco vezes até 2030. A energia renovável fornece cerca de um terço das necessidades atuais de eletricidade do bloco. A nova ilha forneceria 3 gigawatts iniciais, aumentando para 10 ao longo do tempo. A instalação menor, em Bornholm, forneceria 2 gigawatts.

— Apesar de estarmos no meio de uma crise de saúde sem precedentes, isso não significa que o problema das mudanças climáticas seja menor. Também estamos em crise climática. Isso nos mostra que estamos todos nas mãos da natureza, no final das contas — resumiu Dan Jorgenson, ministro do Clima (equivalente ao Ministério do Meio Ambiente) da Dinamarca, em recente entrevista ao diário britânico Financial Times.