Imagem do presidente, no exterior, piora dia após dia

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Publicado segunda-feira, 13 de janeiro de 2020 as 18:07, por: CdB

“O militar reformado, que mantém vivo o discurso de nós contra eles da campanha e é abertamente hostil à esquerda, testou as instituições do Brasil”, afirma correspondente do diário espanhol El País.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Madri

 

Na edição desta segunda-feira do diário conservador espanhol El País, em uma análise da jornalista Naiara Galarraga Gortázar, correspondente do jornal, no Brasil, ela afirma que o “primeiro ano de mandato (do presidente Jair Bolsonaro) incluiu confrontos com outros poderes do Estado, ataques à imprensa, à ciência, à história… decisões controvertidas e infinitas polêmicas”. Gortázar, em seu artigo, fixa uma nova altura para a régua do desgaste que o mandatário brasileiro enfrenta, no exterior.

O “capetão” Jair Bolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) perde apoio simultaneamente no país e no exterior, em face do número de declarações polêmicas

“O militar reformado, que mantém vivo o discurso de nós contra eles da campanha e é abertamente hostil à esquerda, testou as instituições do Brasil. O apoio à democracia caiu sete pontos, a 62% desde sua posse, os indiferentes ao formato de Governo aumentam enquanto se mantém em 12% a porcentagem dos que acreditam que em certas circunstâncias a ditadura é melhor, de acordo com a pesquisa do Datafolha”, cita.

“Bolsonaro destituiu o diretor do órgão que realiza a medição oficial do desmatamento na Amazônia, pediu um boicote ao jornal Folha de S.Paulo, sugeriu que o jornalista norte-americano Glenn Greenwald possa ser preso no Brasil por revelações jornalísticas, em um discurso no Chile elogiou Pinochet e no Paraguai, Stroessner”, acrescenta.

Bielorrússia

A jornalista afirma que Bolsonaro faz referências constantes à necessidade de “eliminar até o último vestígio de seus antecessores esquerdistas, como frisou dias atrás”, citando livros didáticos.

— A partir de 2021, todos os livros serão nossos, feitos por nós. Os pais irão adorar. Terão a bandeira na capa. Terão o hino. Hoje, como regra, os livros são um monte de coisas escritas, é preciso suavizar (…) Não pode ser como esse lixo que hoje é a regra — disse o mandatário.

Gortázar cita o professor sueco Staffan I. Lindberg, que alerta sobre dois assuntos: uma vez calados os críticos e a imprensa, os governos têm o domínio absoluto da informação. E “não são necessárias mudanças legais para que um país se transforme em uma autocracia eleitoral. Veja a Bielorrússia”, resumiu.

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