Índia supera marca de 200 mil mortos por coronavírus

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Publicado quarta-feira, 28 de abril de 2021 as 10:54, por: CdB

Pela primeira vez, país registra mais de 3 mil mortes por covid-19 em 24 horas. Hospitais e crematórios estão lotados. Especialistas afirmam que governo esconde real dimensão da epidemia no país.

Por Redação, com DW – de Nova Délhi

A Índia superou a marca de 200 mil mortes na pandemia de covid-19, com o registro de mais 3.293 óbitos, anunciou o governo na manhã desta quarta-feira.

Profissionais da saúde carregam um corpo para ser cremado em Jammu

Segundo o governo, o total chegou a 201.187 mortos. Foi a primeira vez que o país registrou oficialmente mais de 3 mil mortos em 24 horas. Especialistas afirmam que os números reais devem ser muito maiores.

Também nesta quarta foram registradas 360.960 novas infecções. Foi o sétimo dia seguido com mais de 300 mil novos casos diários. O total de pessoas que já foram infectadas na Índia soma quase 18 milhões, dos quais 6 milhões só em abril.

“Tempestade perfeita”

A Organização Mundial da Saúde (OMS) afirmou que a segunda onda na Índia foi causada por uma “tempestade perfeita” de grandes eventos, baixa taxa de vacinação e variantes mais contagiosas. A organização destacou que a culpa pela situação não é apenas das novas variantes, mas também de um comportamento complacente.

A explosão no número de casos nos últimos dias, atribuída à chamada variante indiana do novo coronavírus e aos grandes comícios eleitorais e festejos religiosos, lotou os hospitais do país, onde faltam leitos, medicamentos, respiradores e oxigênio.

A crise é particularmente grave na capital, Nova Délhi, com pessoas morrendo às portas de hospitais lotados.

À agência alemã de notícias Deutsche Welle (DW) falou com um médico que trabalha num hospital indiano e ele relatou que recebe todos os dias mais de 500 telefonemas de pessoas pedindo ajuda. Ele afirmou que a situação é muito pior do que se pode imaginar.

Crematórios com fila de espera

Crematórios pelo país estão operando sem interrupção. Em algumas regiões falta lenha, e as pessoas que desejam cremar os cadáveres de seus parentes são orientadas a trazerem sua própria madeira.

Em Délhi, crematórios foram improvisados em terrenos vazios e estacionamentos devido à grande demanda. A espera para uma cremação pode chegar a 20 horas. “As pessoas estão simplesmente morrendo, morrendo e morrendo”, declarou um funcionário.

Um especialista em modelos matemáticos de previsão declarou que a Índia só deverá atingir o pico da segunda onda em meados de maio, podendo chegar a 500 mil casos diários.

– A situação atual é muito grave, e a positividade dos testes é de mais de 20%, por isso já há uma grande transmissão comunitária, que não parece provável baixar no curto prazo – disse o professor de Gautam Menon, da Universidade Ashoka, à agência de notícias Lusa.

Governo sob críticas

Oficialmente, a Índia é o segundo país do mundo com mais casos, atrás dos Estados Unidos, e o quarto com mais óbitos, depois dos EUA, do Brasil e do México.

Também na Índia a ação do governo é alvo de críticas. A vacinação anda a passos lentos, e o primeiro-ministro Narendra Modi foi acusado de minimizar os riscos do coronavírus. Em março de 2020 o governo anunciou um lockdown de três semanas. Este ano, porém, permitiu festejos religiosos e campanhas eleitorais.

Especialistas internacionais afirmam que o governo está escondendo a real dimensão da pandemia no país e dizem que o número de mortos deve ser de cinco a dez vezes maior.

A Índia aplicou cerca de 150 milhões de vacinas para uma população de 1 bilhão e 300 milhões de pessoas. A partir deste sábado, o programa de vacinação englobará todos os adultos, ou 600 milhões de pessoas.

Muitos estados indianos reclamam da falta de vacinas, e especialistas pediram ao governo que dê prioridade aos grupos mais vulneráveis e às áreas mais afetadas.

Vários países já prometeram ajudar a Índia. O Reino Unido enviou respiradores e oxigênio, que já chegaram a Délhi. A Alemanha também vai enviar oxigênio, além de medicamentos. Os Estados Unidos anunciaram o envio de vacinas.