Indiciados por corrupção, Alckmin e Serra abalam ninho tucano

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Publicado sexta-feira, 17 de julho de 2020 as 17:44, por: CdB

O indiciamento de ambos — Serra na semana passada e Alckmin nesta sexta-feira — integra a segunda fase da chamada “Lava Jato Eleitoral” de São Paulo. Foram também indiciados o ex-tesoureiro do PSDB Marcos Monteiro e o ex-assessor de Alckmin Sebastião Eduardo Alves de Castro.

Por Redação – de São Paulo

Outrora paladinos da moral e dos bons costumes, tucanos emplumados como os ex-governadores e presidenciáveis Geraldo Alckmin e José Serra passaram ao noticiário policial, nas últimas semanas. Ambos foram indiciados em inquérito da Polícia Federal (PF), por corrupção passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha.

Dois dos principais nomes do PSDB, Serra e Alckmin frequentam agora as páginas policiaisDois dos principais nomes do PSDB, Serra e Alckmin frequentam agora as páginas policiais
Dois dos principais nomes do PSDB, Serra e Alckmin frequentam agora as páginas policiais

O indiciamento de ambos — Serra na semana passada e Alckmin nesta sexta-feira — integra a segunda fase da chamada “Lava Jato Eleitoral” de São Paulo. Foram também indiciados o ex-tesoureiro do PSDB Marcos Monteiro e o ex-assessor de Alckmin Sebastião Eduardo Alves de Castro.

A PF baseia-se na delação de ex-executivos da Odebrecht; além da perícia no sistema de informática do Departamento de Operações Estruturadas da empreiteira, criado para gerenciar a distribuição de recursos ilícitos a parlamentares e autoridades do Executivo. Integram o processo, ainda, os conteúdos das escutas telefônicas e conversas no aplicativo Skype, entre outros documentos obtidos nas ligações telefônicas e delações premiadas.

Surpreendido

Ambos concorrem a penas que vão de 3 a 12 anos de prisão, segundo promotores do Ministério Público de São Paulo, responsáveis por ações eleitorais. Caberá à equipe decidir se a Justiça Eleitoral apresentará denúncia contra o ex-governador, pedir novas diligências ou o arquivamento do caso.

Em entrevista ao canal norte-americano de TV CNN, nesta manhã, Alckmin disse que ainda não foi ouvido no processo, mas negou de antemão qualquer irregularidade em suas campanhas eleitorais. Aos demais filiados do PSDB municipal de São Paulo, na noite passada, o ex-governador afirmou que tem a consciência tranquila.

— Fui surpreendido com o indiciamento da Polícia Federal por doação de campanha sendo que sequer fui ouvido. É inacreditável isso. (…) Não tive nenhum acúmulo patrimonial, (tive) vida pessoa pessoal modesta. Estou absolutamente indignado, mas também confiante — acrescentou.

Em xeque

Atual governador de São Paulo, João Doria saiu em defesa de seu correligionário e disse, ainda nesta sexta-feira, ter convicção de que Alckmin “saberá esclarecer todos os pontos levantados sobre doações de campanha eleitoral”.

“A trajetória de Alckmin é marcada pelo compromisso com valores éticos e dedicação à causa pública”, escreveu em suas redes sociais.

Candidato à Presidência da República, em 2018 e presidente do PSDB entre 2017 e 2019, Alckmin estava à frente da campanha à reeleição do prefeito de São Paulo, Bruno Covas. Diante da investigações em curso, o posto do líder tucano está em xeque.

Odebrecht

O inquérito segue no STJ desde novembro de 2017 a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR), com base nas delações de executivos da Odebrecht que disseram, em juízo, que repassaram à campanha de Alckmin valores superiores a R$ 10 milhões por meio de caixa dois entre 2010 e 2014.

O processo contra o tucano estava no STJ porque, como governador, tinha foro especial mas, ao renunciar para concorrer à Presidência em 2018, perdeu o foro especial. Segundo os delatores, parte do montante em dinheiro sujo teria sido entregue ao cunhado de Alckmin, o empresário Adhemar César Ribeiro, conforme consta do interrogatório de três ex-executivos da empreiteira: Benedicto Junior, Carlos Armando Paschoal e Arnaldo Cumplido de Souza e Silva.

Carlos Paschoal confessou ter entregue R$ 2 milhões ao cunhado de Alckmin, em 2010, e denunciou o suposto acerto, diretamente com o ex-governador. Adhemar não chegou a ser indiciado pela PF. Benedicto Jr., por sua vez, afirmou às autoridades que a Odebrecht fez os pagamentos ilícitos em troca de favores em obras do Metrô e de saneamento.

Depressão

Alckmin já foi ouvido por promotores do Ministério Público de São Paulo, em agosto de 2018, na ação que investigava suspeita de improbidade administrativa relativo às delações da Odebrecht. Em setembro, a instância judiciária formulou uma ação civil pública na qual o acusava de receber R$ 7,8 milhões em recursos ilícitos ao longo de 2014 e determinou o bloqueio de até R$ 9,9 milhões em bens do ex-governador no âmbito da ação, em decisão válida até agora.

No caso de José Serra, a filha dele, Verônica, também foi denunciada pela força-tarefa da Lava Jato de São Paulo no Ministério Público Federal. Foram cumpridos, na semana passada, oito mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio de Janeiro, nos imóveis ligados ao senador, inclusive a sua residência. A operação foi batizada de Revoada.

Segundo o Ministério Público Federal, foram cometidos crimes até 2014. Em 2018, o Supremo Tribunal Federal decidiu que crimes atribuídos a Serra cometidos até 2010 estavam prescritos. Serra encontra-se isolado em um sítio, no sul da Bahia. Segundo familiares, seu estado de saúde é frágil, diante da profunda depressão e insônia crônicas.