Infectologista diz que não é possível estabelecer datas da vacinação contra coronavírus no Brasil

Arquivado em: Brasil, Destaque do Dia, Últimas Notícias
Publicado terça-feira, 15 de dezembro de 2020 as 10:32, por: CdB

Venceu nesta terça-feira o prazo dado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, ao Ministério da Saúde para informar as datas de início e fim do programa de vacinação contra a covid-19.

Por Redação, com Sputnik – de Brasília

Venceu nesta terça-feira o prazo dado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski, ao Ministério da Saúde para informar as datas de início e fim do programa de vacinação contra a covid-19. Pelo plano divulgado pelo órgão no último sábado, 51 milhões de brasileiros devem ser vacinados no primeiro semestre. Mas nenhum prazo foi dado pelo Ministério.

Infectologista diz que não é possível estabelecer datas da vacinação contra a covid-19 no Brasil
Infectologista diz que não é possível estabelecer datas da vacinação contra a covid-19 no Brasil

Em entrevista para à agência russa de notícias Sputnik, especialista em imunização acha que é “temerário” pensar em prazos sem que haja um mínimo de informações sobre quais produtos e em qual quantidade teremos.

O problema, segundo um dos mais renomados infectologistas brasileiros, é exatamente definir prazos sem informações básicas.

– Não é possível falar em datas porque ainda não há produto que foi submetido ao processo de registro. Acho no mínimo temerário definir ou estimar o começo da campanha sem saber qual o produto e em qual a quantidade. Temos que aguardar um pouco mais – explicou à Sputnik o pediatra e infectologista Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações.

A resposta coube a Lewandowski porque ele é o relator de ações em que partidos políticos pedem que o Supremo obrigue o governo federal a elaborar e divulgar um plano de vacinação. Após receber a resposta, o STF retirou da pauta o julgamento das ações, que deveria ocorrer nesta quinta-feira. A retirada foi feita a pedido de Lewandowski, mas o ministro indica, com a intimação feita no domingo, que pode rever sua posição, a depender da resposta da Saúde. O texto do ministro foi sucinto.

– Intime-se o Senhor ministro de Estado da Saúde para que esclareça, em 48 (quarenta e oito) horas, qual a previsão de início e término do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra a covid-19, inclusive de suas distintas fases – escreveu o ministro em seu despacho, endereçado também à Advocacia-Geral da União.

Em nota, o Ministério da Saúde disse que isso só será possível após aprovação de alguma vacina pela ​Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa.

O plano do governo

O plano apresentado pelo governo ao STF ocorreu após forte pressão política e de setores da sociedade. E só deve ser anunciado à população nesta quarta-feira, de acordo com a assessoria do Ministério da Saúde.

O texto não traz data de início nem cronograma para operacionalizar a vacinação da população como um todo. Ele lista 13 vacinas candidatas, entre elas a CoronaVac, que está sendo produzida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, em parceria com a fabricante chinesa Sinovac.

O documento estima em cerca de 108 milhões as doses necessárias para a vacinação prioritária de trabalhadores da saúde e idosos, entre outros, com cálculo de cerca de cinco meses para imunizar essa faixa da população.

Essa é, segundo Kfouri, outra questão central.

– Não teremos vacinas para todos ao mesmo tempo, essas entregas serão escalonadas, então é fundamental ter hierarquias definidas dentro do cronograma em função das entregas que receberemos – disse o médico.

As 108 milhões de vacinas cobrem 51 milhões de brasileiros, menos de um quarto da população, hoje em 212 milhões de habitantes. O plano do governo reconhece a necessidade de que ao menos 70% da população se imunize para barrar o vírus, ou seja, mais de 148 milhões de pessoas.

Em anúncios anteriores, o governo havia falado de vacinação de março a junho. No documento divulgado no sábado, não havia menção a uma data específica. Segundo o Ministério, a data depende do registro de uma vacina na Anvisa e de sua liberação, sendo que a expectativa é iniciar a vacinação de grupos prioritários até fevereiro.

Politização

As idas e vindas de datas e também de prazos anunciados – como o do governo paulista sobre o início da imunização no estado em 25 de janeiro com a CoronaVac, de fabricação chinesa em parceria com o Instituto Butantan, reforça um aspecto do processo da pandemia da covid-19: a politização do tema, algo que é duramente criticado por Renato Kfouri.

– Tivemos politização de distanciamento, isolamento horizontal contra vertical, toma-se cloroquina ou não, o uso ou não de máscaras, uma doença séria ou uma ‘gripezinha’, e agora a questão das vacinas. Isso não contribui em nada. O pilar das coberturas de vacinação é a confiança e essa politização não contribui, isso abala a confiança na vacinação. É uma politização que coloca esquerda contra direita, como se fosse um jogo de futebol. Espero que as arestas sejam aparadas para programa de vacinação ter sucesso – concluiu o médico.