Inflação mais alta desorganiza cadeia produtiva e gera tensão em contratos

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Publicado terça-feira, 30 de março de 2021 as 16:49, por: CdB

De acordo com o IBGE, o resultado do IPP de fevereiro reflete principalmente a elevação de preços das indústrias extrativas (27,91%), de refino de petróleo e produtos de álcool (12,12%), de outros produtos químicos (9,69%) e de metalurgia (8,35%). O índice mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete.

Por Redação – de São Paulo

A alta generalizadas nos preços se confirmou, nesta terça-feira, com a maior alta da série histórica iniciada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) no Índice de Preços ao Produtor (IPP). O desempenho do índice em fevereiro, no entanto, é o segundo recorde consecutivo, após a revisão de 3,36% para 3,55% da alta de janeiro.

Os preços de combustíveis, em alta constante, empurraram os índices de inflação a marcas históricas

De acordo com o IBGE, o resultado de fevereiro reflete principalmente a elevação de preços das indústrias extrativas (27,91%), de refino de petróleo e produtos de álcool (12,12%), de outros produtos químicos (9,69%) e de metalurgia (8,35%).

O índice mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. Dessas, 23 apresentaram variações positivas.

Tendência

Com o aumento no Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), também conhecido como “inflação do aluguel”, a temperatura dos preços encontra-se cada vez mais alta. O IGP-M é o índica mais usado nos reajustes de contratos e, em março, subiu 2,94% em março, após uma alta de 2,53% em fevereiro, informou nesta terça-feira a Fundação Getulio Vargas (FGV).

Com este novo dado, o indicador já uma acumula alta de 8,26% no ano e de 31,10% em 12 meses. É a maior variação em 12 meses desde maio de 2003. Com esses números, a avaliação é de que não haverá mudança de tendência e que os preços no atacado (que têm maior peso no IGP-M) seguirão pressionando a inflação ao consumidor, segundo André Braz, coordenador dos Índices de Preços da FGV.

Na análise do colunista Celso Ming, na mídia conservadora, “a disparada do  Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) (IGP-M) produz graves tensões no setor de aluguéis cujos reajustes estão atrelados a esse indexador”.

Combustíveis

Em 12 meses, prazo de correção da maioria dos contratos, o avanço do IGP-M encontra-se 5,5 vezes maior do que a inflação no mesmo período. “A principal razão técnica que explica essa disparada é o fato de que o IGP-M é uma mistura de índices que levam 60% de preços no atacado. E foi justamente no atacado que saltaram os preços dos combustíveis, dos alimentos e de produtos atrelados ao dólar”, explica Ming.

O analista lembra, ainda, que “o reajuste desses aluguéis acontece num momento difícil para as famílias que moram em casa alugada: enfrentam queda da renda e desemprego. E as empresas que operam em imóveis alugados passam por queda de faturamento. É uma situação que muitos inquilinos não podem suportar. Ou são obrigados a mudar para imóvel mais barato ou enfrentam quase sempre difícil negociação com o proprietário”.

Correções

José Roberto Graiche Júnior, presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo (Aabic), entidade com 90 empresas associadas que administram mais de 60 mil imóveis locados, “avisa que não há solução em bloco”, acrescenta. “As negociações entre as partes estão sendo realizadas caso a caso, há mais de dois anos.Em 2019, os reajustes de fato dos aluguéis residenciais ficaram abaixo do avanço do IGP-M. Nas negociações mais recentes, como aponta Graiche Júnior, esses reajustes estão ocorrendo, em média, entre 7% e 9%, enquanto o IGP-M segue em patamar muito acima” acrescenta Ming.

Nas locações comerciais, a queda de braço é ainda mais complicada. “As soluções encontradas têm sido o adiamento de pagamentos, aceitação de correções mais baixas ou, até, a troca do indexador pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE, cuja composição se restringe aos preços de varejo (custo de vida)”, conclui.