Inflação pesa mais para famílias que vivem na linha da pobreza

Arquivado em: Comércio, Indústria, Negócios, Serviços, Últimas Notícias
Publicado quinta-feira, 12 de novembro de 2020 as 18:40, por: CdB

“Distanciamento social, aumento do desemprego e retração da atividade deprimiram os preços de diversos serviços. E a depreciação cambial, os programas de transferência de renda e o aumento dos gastos com alimentação no domicílio pressionaram os preços dos alimentos”, diz a pesquisa.

Por Redação – de Brasília

A inflação pesou mais para as famílias com renda baixa, entre um e três salários mínimo, por conta da parcela maior do orçamento destinada à alimentação em casa. A conclusão é do estudo “Inflação por faixa de renda familiar em 2020”, divulgado nesta quinta-feira, pelo Banco Central (BC). A alimentação em casa é o segmento que mais tem pressionado a inflação neste ano.

A moeda brasileira tende a se desvalorizar ainda mais com a alta nos índices de inflação
A moeda brasileira tende a se desvalorizar ainda mais com a alta nos índices de inflação

Entretanto, o BC ressalta que, mesmo para este grupo, a inflação se encontra “em patamar baixo, com variação de 2,29% no acumulado do ano”. Segundo o estudo, a pandemia de covid-19 tem influenciado a inflação e os preços relativos no Brasil desde março.

“Por um lado, distanciamento social, aumento do desemprego e retração da atividade deprimiram os preços de diversos serviços. Por outro, a depreciação cambial, os programas de transferência de renda e o aumento dos gastos com alimentação no domicílio pressionaram os preços dos alimentos”, diz a pesquisa.

Serviços

O estudo foi feito considerando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA – a inflação oficial do país), com base nos microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018.

As faixas de renda familiar usadas são um a três salários mínimos, três a dez salários mínimos e 10 a 40 salários mínimos, que representam, na ordem, 46,2%, 44,0% e 9,8% da população pesquisada no IPCA.

De acordo com o BC, em todas as regiões do país, conforme aumenta o nível de renda das famílias, cresce a parcela do orçamento destinada ao consumo de serviços em detrimento dos gastos com alimentação no domicílio e monitorados (como energia elétrica, gasolina, gás, transporte público).

Alimentos

“Ademais, vale destacar os maiores gastos com alimentos no domicílio e bens industriais no Norte, em relação a outras regiões, para todas as faixas de renda; a participação de aproximadamente 50% de dispêndios em serviços para as famílias com renda entre 10 e 40 salários mínimos no Sudeste; e a grande diferença da participação no orçamento de gastos com alimentação no domicílio entre as famílias da faixa de renda mais baixa (22,5%) e as de renda mais alta (9,4%) no Nordeste”, acrescenta o Banco Central.

Segundo o estudo, a inflação de alimentos é mais elevada no Norte e no Nordeste, inclusive para a faixa de renda mais baixa. “[Isso] sugere algum efeito do auxílio emergencial a pessoas em situação de vulnerabilidade, mais significativo nessas regiões, sobre a demanda desses produtos”, afirma o BC.

Por outro lado, acrescenta o estudo, “a inflação de serviços é mais baixa para a faixa de renda mais alta e, principalmente, no Sul e Sudeste, em parte, pela maior participação de itens como passagem aérea, transportes por aplicativos e hospedagem, que foram impactados pela menor mobilidade”.