Institutos brasileiros de pesquisa mais erraram do que acertaram em 2020

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Publicado quinta-feira, 31 de dezembro de 2020 as 13:07, por: CdB

O Datafolha apontava vitória de Marília Arraes (PT) em Recife (PE), mas a vitória foi de João Campos (PSB). Para o Ibope, Manuela D’Ávila (PCdoB) venceria Sebastião Melo (DEM) em Porto Alegre (RS), mas a candidata da esquerda saiu derrotada.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Em 2020, os institutos de pesquisa erraram nos prognósticos para diversas capitais e chamaram a atenção durante as eleições. A resposta está, para especialistas consultados pelo Brasil de Fato, no método escolhido pelas empresas para fazer os levantamentos durante a pandemia: a entrevista por telefone.

O sociólogo Marcos Coimbra avalia o desempenho da esquerda, nas últimas eleições
O sociólogo Marcos Coimbra, do Vox Populi, questionou o método de pesquisa dos institutos

O cientista político Rudá Ricci explica que, neste ano, houve uma profusão de pesquisas por telefone e muitos institutos não tinham como checar os dados.

— Em cerca de 20% das pesquisas, você volta com outro técnico para checar se o entrevistado foi mesmo questionado e se a sequência de respostas bate. Dependendo do índice de erros, você cancela todo o lote de pesquisas do pesquisador que errou. Com a profusão de pesquisas por telefone e sem a checagem, eu não tenho como confiar mais nas pesquisas — sentencia.

Cenário

O Datafolha apontava vitória de Marília Arraes (PT) em Recife (PE), mas a vitória foi de João Campos (PSB). Para o Ibope, Manuela D’Ávila (PCdoB) venceria Sebastião Melo (DEM) em Porto Alegre (RS), mas a candidata da esquerda saiu derrotada.

Em Fortaleza (CE), o Ibope cravava uma vitória de Sarto (PDT) contra o Capitão Wagner (PSL), com 20% de vantagem. Porém, quando as urnas foram fechadas, o pedetista venceu apertado, por 51% a 49%.

O cenário foi oposto em São Paulo, onde o Datafolha previa uma vitória apertada de Bruno Covas (PSDB) sobre Guilherme Boulos (PSOL). O triunfo do tucano, no entanto, foi mais tranquilo, por 59% a 41%.

O analista político Marcos Verlaine, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), comentou a falta de precisão nos levantamentos. Segundo o cientista político, o Datafolha é muito questionado entre os pesquisadores da área social, porque a empresa sempre faz a chamada pesquisa em fluxo ao invés da domiciliar.

Auxílio emergencial

Verlaine explica que esse tipo de levantamento, como diz o nome, consiste em colocar os pesquisadores em locais com muito fluxo de gente, como, por exemplo, na entrada de metrô.

— O Datafolha é o único instituto de pesquisa que dá um índice de popularidade do Bolsonaro muito acima da média dos demais institutos. Nunca houve uma queda para menos de 32%, enquanto em outras pesquisas ele teria caído para 26%, um pouco antes da ajuda do auxílio emergencial. Há uma desconfiança muito grande com o Datafolha — explica o cientista político.

Segundo Verlaine, “essa pesquisa do Datafolha que dá um relativo percentual positivo de aprovação ao Bolsonaro, tem muito que ver com a questão do auxílio emergencial, que já caiu”.

— Eu acredito que, em fevereiro, quando as coisas devem estar mais claras, em relação ao debate político e da vacina, esse quadro estará mais definido e a aprovação do Bolsonaro estará bem menor. Sem a renovação do auxílio, Bolsonaro perderá apoio da população — conclui.