Institutos de pesquisa discordam em avaliação do governo Bolsonaro

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Publicado segunda-feira, 14 de dezembro de 2020 as 15:44, por: CdB

Os dados do levantamento mais recente também mostraram que 26% consideram a gestão regular e 2% não opinaram ou não souberam responder.  Bolsonaro, segundo os pesquisadores da empresa de consultoria, tem melhor avaliação entre as pessoas que ganham mais de cinco até dez salários mínimos.

Por Redação – de São Paulo

Enquanto estudo da Quaest Pesquisa e Consultoria, divulgado nesta segunda-feira, aponta a desaprovação do governo Jair Bolsonaro em alta de 48% (36% de péssimo e 12% de ruim), a pesquisa do Instituto Datafolha mostra um resultado diferente, com reprovação de 32% dos brasileiros. De acordo com a Quaest, apenas 24% aprovam a atual administração (11% de ótimo e 13% de bom).

Jair Bolsonaro
Jair Bolsonaro estaria em seu melhor momento, segundo o Datafolha, mas nem tanto assim, de acordo com estudo da Quaest

Os dados do levantamento mais recente também mostraram que 26% consideram a gestão regular e 2% não opinaram ou não souberam responder.  Bolsonaro, segundo os pesquisadores da empresa de consultoria, tem melhor avaliação entre as pessoas que ganham mais de cinco até dez salários mínimos (35%) e a pior entre as que recebem mais de dez salários (53%). Segundo os números, 56% disseram que o País está no caminho errado. Para 21%, o Brasil está no rumo certo e 22% não souberam ou não responderam.

A Quaest entrevistou 1.000 eleitores nos 26 Estados e Distrito Federal. A margem de erro é de 3.1 pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa tem um nível de confiança de 95%.

Aprovação

Já a pesquisa Datafolha, divulgada na véspera pelo diário conservador paulistano Folha de S.Paulo, mostra que 37% dos entrevistados avaliam de maneira positiva, o que é sua melhor avaliação desde o início do mandato. Ainda segundo o Datafolha, 29% consideram a gestão de Bolsonaro como “regular”. Outros 3% não souberam opinar. A pesquisa foi realizada entre os dias 8 a 10 de dezembro, com 2.016 brasileiros, por telefone. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Apesar de ser a maior taxa de aprovação desde o início da atual gestão, o índice registrado por Bolsonaro é menor do que o de seus antecessores eleitos em primeiro mandato. Apenas o presidente Fernando Collor e os vices, Michel Temer, de Dilma, e Itamar Franco, de Collor, apresentaram um percentual menor após quase dois anos no cargo.

O advogado criminalista e integrante do coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia, José Carlos Portella Junior, acredita que a mídia tradicional tem responsabilidade pela manutenção da aprovação de Bolsonaro ao deixar de combater e denunciar os problemas causados pelo governo.

— A mídia comercial está deixando passar o que deveria ser atacado, como a irresponsabilidade de Bolsonaro no combate à pandemia. A mídia não escancara que o presidente é responsável por isso, porque isso não é óbvio para toda a população — criticou, em entrevista à Rádio Brasil Atual (RBA).

Crise econômica

Segundo o levantamento, 52% dos entrevistados afirmam que Bolsonaro não tem nenhuma culpa pelo total de mortos decorrentes da covid-19, enquanto outros 38% disseram acreditar que o presidente é um dos culpados, mas não o principal, e 8% o apontaram como o principal culpado pelas mortes.

— Fui assistir ao telejornal de uma grande rede de televisão. Deram três minutos para uma reportagem sobre o caso de Flávio Bolsonaro e, em seguida, falaram sobre o arquivamento da denúncia contra Lula. Porém, fizeram uma matéria maior do que a anterior e ainda criando um tom de que ele não era inocente — acrescentou Portella, ao lembrar das recentes acusações contra o filho de Bolsonaro, que foi beneficiado pela Abin, no caso de Fabrício Queiroz.

Para a coordenadora do Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e vice-presidente da Rede Brasileira de Renda Básica, Tatiana Roque, todas as lideranças de extrema-direita no mundo conseguiram ganhar relevância em função de uma crise de confiança na ciência e nas instituições.

‘Gente na rua’

E Bolsonaro, além de organizar esse sentimento na presidência da República, ainda explora a crise econômica em seu favor.

— Uma categoria que adere mais do que outras a seu discurso é a dos trabalhadores informais. Por que? Pensem bem que outra opção essas pessoas têm para seguirem a vida. A circulação é essencial não apenas à sua renda mas ao seu modo de vida. O auxílio emergencial segurou, mas como é temporário todos sabem que precisarão voltar ao ‘normal’, o que para eles quer dizer gente na rua — questiona Tatiana.

Tatiana também aponta ser necessário pensar em propostas alternativas a uma classe média que hoje é informal ou autônoma.

— Quem são as lideranças de oposição capazes de expressar e organizar os sentimentos dessa camada fluida de pessoas que ainda apoiam Bolsonaro? Lembrem que não são apenas os 15% fascistas e apoiadores de ditadura. Tem uma camada de swing voters aí, pessoas que já votaram no PT muitas vezes. São de uma classe média que não é rica e que, em geral, está no mundo informal ou autônomo. Que projetos a oposição tem para eles? — questiona.

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