Internet ajuda Al-Qaeda a driblar segurança na Arábia Saudita

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Publicado terça-feira, 16 de novembro de 2004 as 10:56, por: CdB

Militantes da Al Qaeda estão conseguindo contornar as operações das forças de segurança da Arábia Saudita, usando a Internet para conquistar novos recrutas. Apesar da morte de vários de seus colaboradores, entre os quais Issa Saad bin Oshan, editor de uma das revistas virtuais da rede terrorista, o grupo continuou a divulgar regularmente suas publicações no último ano.

– Essa é uma prova da força da Al Qaeda na Arábia Saudita: o fato de que foram capazes de publicar as revistas duas vezes por semana, durante um ano inteiro, em meio a pesadas baixas – disse Paul Eedle, um especialista no assunto que trabalha na Grã-Bretanha.

– Isso mostra como um pequeno grupo pode continuar com sua campanha usando a Internet. Antes dos dias da Internet, um grupo desapareceria dos holofotes se o número de seus integrantes fosse reduzido da forma como aconteceu na Arábia Saudita – afirmou.

Oshan dirigia a Sawt al-Jihad (Voz da Guerra Santa), o veículo mais importante de disseminação das idéias da Al Qaeda. A publicação costuma convocar seus leitores para a luta armada a fim de expulsarem os “cruzados” do berço do Islã.

Outra publicação importante é a Muaskar al-Battar (Campo Battar), um manual de guerrilha batizado com o nome de uma espada do profeta Maomé. A revista divulga informações sobre o uso de armas e de explosivos e sobre como matar autoridades.

Oshan foi morto em uma operação das forças de segurança sauditas em um esconderijo no qual estava a cabeça de Paul Johnson. Johnson, um norte-americano, tinha sido morto em junho.
A Arábia Saudita, maior exportadora de petróleo do mundo, realizou grandes operações na área de segurança e conseguiu prender ou matar 17 dos 26 militantes mais procurados do país.

– Fiquei surpreso com a continuidade das revistas. Esse é um dos melhores meios de que um grupo terrorista dispõe para fazer propaganda -, afirmou um analista europeu que não quis ter sua identidade revelada.

As autoridades tentaram, sem grande sucesso até agora, bloquear o acesso às revistas virtuais e a outros sites islâmicos a fim de conter a expansão do extremismo. Mas, segundo analistas, a capacidade das publicações de recrutar novos adeptos é questionável.

– Há uma grande distância entre fazer alguma coisa e ler textos militantes, colocar mensagens em sites e simpatizar com a causa. Acho que, para haver esse salto, sempre é necessário algum tipo de contato pessoal – afirmou Eedle.