Investidores param de fugir, mas colocam o Brasil no fim da fila

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Publicado sábado, 5 de dezembro de 2020 as 17:06, por: CdB

Após o saldo positivo de investimento estrangeiro, em outubro, a Bolsa de Valores paulista exibiu um resultado animador em em novembro, com o ingresso de mais de R$ 30 bilhões em dinheiro do exterior. Mas o Brasil não é um caso isolado.

Por Redação – de São Paulo

A fuga desenfreada de capital estrangeiro do Brasil cessou, após meses seguidos, com a chegada das vacinas contra a covid-19. O que seria uma notícia positiva, no entanto, azedou diante das expectativas quanto aos rumos da economia brasileira. Os investidores, que voltaram a olhar para mercados considerados mais arriscados, colocam o país entre os últimos da fila.

A tributação dos investimentos segue legislação própria
O Brasil está no fim da fila entre os países emergentes que mais atraem investidores, segundo o IIF

Após o saldo positivo de investimento estrangeiro, em outubro, a Bolsa de Valores paulista exibiu um resultado animador em em novembro, com o ingresso de mais de R$ 30 bilhões em dinheiro do exterior. Mas o Brasil não é um caso isolado.

A maioria dos mercados emergentes assistiram, de maneira geral, a um ingresso recorde de recursos externos porque; além das perspectivas mais animadoras em relação à vacina, o mundo vive um momento de grande liquidez (ou seja, dinheiro disponível), diante dos pacotes de estímulos implementados em diversos países, e juros muito baixos.

Tais fatores, combinados, aumentaram o apetite por risco dos investidores, que olham para os mercados emergentes em busca de maior rentabilidade. De acordo com relatório da consultoria Capital Economics, o chamado investimento em portfólio nesse grupo de países está no maior nível, desde 2014.

Sem atrativos

Ações, fundos dos mais diversos ou títulos de dívida soberana, por exemplo, constam do investimento em portfólio. Trata-se, no entanto, do mais volátil capital que chega ao país, diferentemente do chamado investimento direto no país, que contabiliza o fluxo de capitais no setor produtivo, como a participação direta em empresas e que gera desenvolvimento. Os dois tipos de investimentos são acompanhados pelo Banco Central nas estatísticas do balanço de pagamentos.

Embora o mercado financeiro brasileiro tenha voltado a atrair capital estrangeiro, no entanto, ainda está no fim da fila quando comparado com outras economias emergentes – por razões regionais e internas. O economista do Institute of International Finance (associação que reúne 450 bancos e fundos de investimentos em 70 países) Jonathan Fortun, a pedido da agência britânica de notícias BBC analisou os dados de investimento em portfólio e verificou que o país está longe das prioridades dos investidores entre as 28 economias emergentes acompanhadas pela instituição.

— O Brasil está no último terço, com outros países da América Latina — constatou Fortun.

Dados coletados pelo IIF até novembro mostram que o fluxo de investimento em portfólio, no parâmetro “equity” (palavra em inglês usada no jargão do mercado como sinônimo de patrimônio líquido, e que engloba o investimento em ações) ainda está 7,7% abaixo do verificado em janeiro, “um saldo negativo de US$ 9,2 bilhões”, conclui.