Investigação sobre envolvimento de Temer no Porto de Santos prossegue

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Publicado quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018 as 17:44, por: CdB

As autoridades policiais têm conhecimento dos dados sobre Temer desde os anos 90. Este foi apresentada pela ex-mulher de um ex-presidente da Codesp, órgão que administra o Porto de Santos.

 

Por Redação – de Brasília e Santos

Um relatório da Polícia Federal (PF), ainda em fase preliminar, foi anexado nesta quinta-feira ao inquérito que investiga o presidente de facto, Michel Temer (MDB) e outros integrantes do governo por supostas irregularidades na edição de um decreto para o setor de portos. O documento reproduz uma tabela datada de 1998, que indica pagamentos de empresas do Porto de Santos (SP) ao atual mandatário e seus aliados.

O presidente de facto, Michel Temer está mais emaranhado com denúncias
O presidente de facto, Michel Temer está mais emaranhado com denúncias sobre o Porto de Santos

A tabela não é inédita. As autoridades policiais têm conhecimento dos dados desde os anos 90. Este foi apresentada pela ex-mulher de um ex-presidente da Codesp, órgão que administra o porto. Ela é parte de outro inquérito, que tramitou no Supremo Tribunal Federal (STF), mas terminou arquivado em 2011; na parte relativa ao emedebista, por decisão do ministro Marco Aurélio Mello. O arquivamento ocorreu depois que Temer se tornou vice-presidente de Dilma Rousseff (PT).

Rodrimar

A PF agora, porem, considera a tabela um elemento relevante para as investigações porque nela há dados sensíveis sobre “quase todos os atores” do inquerito iniciado em 2017, após a delação da JBS. O documento assinala “MT”, provável referência a Michel Temer, ao lado dos registros “3,75%, $ 640.000,00” no espaço que trata da Libra; cuja “participação” era de 7,5%. Com um “saldo a receber” de “$ 1.280.000”.

As iniciais de Michel Temer também estão ao lado do nome da Rodrimar. Trata-se de uma empresa que também administra o Porto em Santos, com a cifra de “$ 600.000”. A Rodrimar é um dos alvos da apuração aberta em 2017.

Os investigadores analisam, ainda, se seria o caso de ampliar as pesquisas para outras medidas provisórias; que também poderiam ter sido alvos de influência e lobbies. Citam, no caso, a MP 735 de 2016, do setor elétrico, que foi publicada em junho do ano em que Temer tomou posse à Presidência da República.

Sem base

O aprofundamento das investigações e a série de fracassos do governo Temer no campo econômico somam-se à pesquisa do Instituto Datafolha, divulgado na véspera, para afugentar as últimas chances de Temer aprovar a reforma da Previdência. Com a votação prevista para este mês, um resultado positivo poderia viabilizar os últimos meses do governo.

Os resultados da pesquisa Datafolha, porém, têm sido usados por parlamentares aliados ao governo como uma prova de que votar a reforma da Previdência, agora, seria um risco. Nos bastidores, ganha força a tese de tirar o projeto de pauta. Pressionado, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), tenta ganhar tempo. Disse que dará um sinal definitivo após o dia 7, quando fará ampla reunião.

O muro que se ergueu sobre a mudança nas aposentadoria tem muitos componentes. Somadas, a rejeição a Temer, a proximidade das eleições e a inexistência de candidatura de direita que empolgue parcela expressiva da população tornaram-se uma combinação difícil de suplantar.

Rejeição

Maia, segundo analistas politicos, ja se apresenta como presidenciável. Nessa condição, foi fortemente aconselhado por aliados a abandonar a pauta previdenciária e se afastar do governo, o mais rápido possível.

Mesmo marcando 1% no Datafolha, o presidente da Câmara comemorou a pesquisa. A pessoas próximas, disse que a essa altura do campeonato, o que deve ser observado é a rejeição do eleitorado. Nesse quesito, bateu 21%, índice considerado baixo.

Os números obtidos em levantamentos internos mostram que a população simplesmente não reconhece como um feito do governo a recuperação econômica ou, pior, em temas importantes, sequer enxerga melhora.

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