Investigação sobre o PSL de Bolsonaro se estende agora a Pernambuco

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Publicado segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019 as 18:29, por: CdB

O valor repassado para a candidatura ‘laranja’ foi o terceiro maior do país, superior até mesmo ao destinado aos campeões de votos.

 

Por Redação – de Brasília e São Paulo

 

Os processos que se avolumam em Minas Gerais contra o PSL, partido do presidente Jair Bolsonaro, agora chegam também ao Nordeste do país. A legenda destinou R$ 400 mil a uma candidatura laranja da deputada federal em Pernambuco, nas eleições de 2018. A apenas quatro dias para a eleição, Maria de Lourdes Paixão, secretária administrativa da seção pernambucana do partido, recebeu o valor da direção nacional do partido e gastou R$ 380 mil em apenas em uma gráfica, Recebeu, no entanto, apenas 374 votos.

Ministro do governo Bolsonaro e ex-presidente do PSL, Bebianno precisará responder à Justiça Eleitoral
Ministro do governo Bolsonaro e ex-presidente do PSL, Bebianno precisará responder à Justiça Eleitoral

O valor repassado para a candidatura dela foi o terceiro maior do país, superior até mesmo ao destinado pelo partido às do próprio Bolsonaro e da deputada federal Joice Hasselmann. Na prestação de contas de Maria de Lourdes, consta que 95% do valor foram gastos na Gráfica Itapissu, para impressão de 9 milhões de “santinhos”; além de R$ 1,7 milhão de adesivos.

Gráfica

A candidata teria, ainda, contratado quatro pessoas para distribuir a montanha de panfletos. A quatro dias da eleição, eles precisariam ter distribuído 750 mil ‘santinhos’ cada um. A então candidata disse não se lembrar do nome do contador de sua campanha, nem da gráfica contratada; menos ainda dos valores gastos ou do tipo de material encomendado.

No endereço que consta da nota fiscal entregue na prestação de contas, no bairro Arruda, no Recife, funciona uma oficina de carros, instalada em abril do ano passado. Antes disso, segundo lembraram os funcionários, o local antes estava vazio. Já o endereço constante da Receita Federal tem no local um café e uma papelaria. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a Gráfica Itapissu recebeu R$ 1,8 milhão na eleição de 2018.

Gerente da gráfica, Paulo Henrique Vasconcelos procurou a reportagem do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, autor da matéria, mas se disse surpreso ao ser perguntado sobre o valor gasto na gráfica. De pronto, ele negou que tenha feito o serviço mas, no dia seguinte, voltou atrás e disse que tudo foi feito e entregue, a tempo e a hora.

Bebianno

Vasconcelos, no entanto, disse que prefere não dar detalhes de como o trabalho foi realizado e entregue, uma vez que a sede da empresa não foi encontrada nos endereços em que a gráfica estaria funcionando. A direção do partido de Bolsonaro negou que a candidata seja laranja, mas disse não ter detalhes sobre sua candidatura e valores recebidos.

Presidente nacional do PSL, Luciano Bivar e o vice-presidente do partido, Antonio de Rueda – que é advogado particular de Bivar – disseram que a decisão sobre o repasse dos R$ 400 mil foi do então presidente do partido, o hoje ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno.

Segundo o responsável nacional pela legenda, era o atual ministro que decidia sobre a distribuição de verbas e coordenava a campanha de Bolsonaro, cujo principal mote era o discurso do combate à corrupção e da moralização da política. A situação é semelhante à do Ministro do Turismo e deputado federal, Marcelo Álvares Antônio (PSL), em Minas Gerais.

Assessores

Antônio apoiou quatro candidaturas laranjas e direcionou dinheiro a empresas ligadas ao seu gabinete, segundo denúncia em fase de investigação por parte da Polícia Federal (PF). As candidatas teriam recebido R$ 279 mil e conseguiram, juntas, cerca de 2 mil votos apenas.

Há, ainda, o caso de uma ex-candidata do PSL que fugiu para Portugal alegando ter sido ameaçada por apoiadores de Marcelo Álvares. Cleuzenir Souza recebeu R$ 60 mil do PSL para sua candidatura a deputada federal, mas não gastou nada em empresas associadas ao ministro. Durante a campanha, Cleuzenir registrou Boletim de Ocorrência contra dois assessores dele por pressioná-la a devolver metade do valor destinado a ela.

O ministro Gustavo Bebianno, por sua vez, nega ter sido o responsável pela decisão de transferir R$ 400 mil de dinheiro público a uma candidata laranja de Pernambuco na última eleição. À época da eleição, Bebianno ocupava o cargo de presidente do partido, durante licença de Bivar.

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