Ipea constata que investimentos declinam no país sob gestão Bolsonaro

Arquivado em: Comércio, Indústria, Negócios, Serviços, Últimas Notícias
Publicado segunda-feira, 3 de maio de 2021 as 15:32, por: CdB

Os números do Ipea conferem com levantamento da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) que mostra queda na participação de investidores estrangeiros em aberturas de capital no Brasil. A retração chega à metade do fluxo observado na última década, com redução significativa no governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Por Redação – de São Paulo

O Indicador Ipea de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aponta uma retração de 1,1% na comparação entre fevereiro e janeiro, na série com ajuste sazonal. Ainda assim, o trimestre móvel terminado em fevereiro registrou alta de 22,4%. Na comparação com o ano anterior, os investimentos atingiram um patamar 7,8% superior ao verificado em fevereiro de 2020. O resultado foi divulgado nesta segunda-feira, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A tributação dos investimentos segue legislação própria
As decisões sobre investimentos, no Brasil, que eram positivas no governo Lula, declinaram ao longo do atual governo

O Indicador de FBCF mede os investimentos no aumento da capacidade produtiva da economia e na reposição da depreciação do estoque de capital fixo. A FBCF é composta por máquinas e equipamentos, construção civil e outros ativos fixos.

Segundo o estudo, o consumo aparente de máquinas e equipamentos, que corresponde à produção nacional destinada ao mercado interno acrescida das importações, caiu 2,9%, apesar da alta de 47,2% no trimestre móvel. Enquanto a produção de máquinas e equipamentos registrou recuo de 4,3% em fevereiro, a importação teve um aumento de 13,1% no mês.

Construção civil

De acordo com o Ipea, os investimentos em construção civil cederam 1,2% em fevereiro, segunda queda consecutiva após uma série de oito altas registradas. Dessa forma, o segmento avançou 2% no trimestre móvel. O desempenho acumulado em 12 meses, porém, revelou queda de 1,3%.

“Na comparação com o ano passado, o bom desempenho foi generalizado. Enquanto o componente máquinas e equipamentos revelou um avanço 9,7% maior que fevereiro de 2020, as valorizações de construção civil e outros ativos fixos foram de 2,3% e 18,1%, respectivamente. A comparação com o trimestre móvel de 2020 também foi positiva para todas as categorias”, informou o Ipea.

Os números do Ipea conferem com levantamento da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) que mostra queda na participação de investidores estrangeiros em aberturas de capital no Brasil. A retração chega à metade do fluxo observado na última década, com redução significativa no governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Na série histórica da B3, de 2004, quando essas operações ressurgem, até fevereiro de 2021, a presença de estrangeiros em IPOs (ofertas iniciais de ações, na sigla em inglês) atingiu o auge de 72,8% em 2006. A fatia de estrangeiros ficou acima de 60% de 2004 a 2012.

Liquidez

Durante a recessão de 2014 a 2016, até o golpe de Estado que depôs a presidenta Dilma Rousseff (PT), a participação caiu, voltando a ficar acima de 60% em 2017, junto com a recuperação do Produto Interno Bruto (PIB) naquele ano. Em 2019, no primeiro ano do governo Bolsonaro, porém, caiu para a faixa de 30%, onde estacionou até agora.

Investidores têm hoje a opção de “ignorar o Brasil”, comentou o estrategista-chefe da XP, Fernando Ferreira, em entrevista ao diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo, nesta manhã. No entanto, segundo ele, o Brasil não precisa fazer muito para atrair o grande fluxo de liquidez no mundo, fruto dos estímulos dos bancos centrais para mitigar os efeitos da crise trazida pela pandemia e pelos juros baixíssimos no mundo.