Irã convoca representante brasileira para se explicar sobre erro diplomático

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Publicado terça-feira, 7 de janeiro de 2020 as 16:33, por: CdB

A encarregada de negócios do Brasil em Teerã, Maria Cristina Lopes, foi convocada pela chancelaria iraniana para uma conversa sobre declaração intempestiva.

 

Por Redação, com RBA – de Brasília e São Paulo

 

O Ministério das Relações Exteriores disse, nesta terça-feira, que a encarregada de negócios do Brasil em Teerã, Maria Cristina Lopes, foi convocada pela chancelaria iraniana para uma conversa após manifestação do governo brasileiro acerca do assassinato do general iraniano Qassem Soleimani, em um ataque de drone norte-americano em Bagdá.

O chanceler Ernesto Araújo foi acusado pela oposição de 'lambe-botas' dos Estados Unidos
O chanceler Ernesto Araújo foi acusado pela oposição de ‘lambe-botas’ dos Estados Unidos

Segundo o Itamaraty, a conversa foi reservada e “transcorreu com cordialidade, dentro da usual prática diplomática”. O MRE, sob a gestão do chanceler Ernesto Araújo, acrescentou que não irá comentar o conteúdo da reunião. Analistas de diversos matizes ideológicos consideram um erro diplomático gravíssimo o envolvimento do Brasil na guerra ainda não declarada entre EUA e Irã.

Herói nacional

“Informamos que a Encarregada de Negócios do Brasil em Teerã, assim como representantes de países que se manifestaram sobre os acontecimentos em Bagdá, foram convocados pela chancelaria iraniana. A conversa, cujo teor é reservado e não será comentado pelo Itamaraty, transcorreu com cordialidade, dentro da usual prática diplomática”, disse o Itamaraty.

A convocação da diplomata brasileira em Teerã ocorreu após o Itamaraty emitir uma nota na sexta-feira sobre a morte de Soleimani, em que manifestou “apoio à luta contra o flagelo do terrorismo”. Em discursos públicos, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não esconde seu apoio ao ato criminoso norte-americano.

Soleimani, considerado a segunda autoridade mais importante do Irã, foi morto na sexta-feira em um ataque dos EUA em Bagdá. Visto como “terrorista” pelo governo norte-americano, ele era um herói nacional para a absoluta maioria dos iranianos, mesmo aqueles que não se consideram apoiadores devotos da elite clerical do país.

Problemas

O acúmulo de erros de Bolsonaro e seus auxiliares mais próximos, à frente da Presidência da República, leva as próximas eleições a ganhar contornos plebiscitários quanto à permanência, ou não no Palácio do Planalto, de seu atual inquilino.

A pouco mais de nove meses do primeiro turno das eleições municipais – marcadas para 4 de outubro – a previsão é de que a disputa para a escolha de prefeitos e vereadores nas cidades brasileiras “vire uma espécie de plebiscito” quanto à continuidade do governo. A análise é da cientista política e professora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, Rosemary Segurado, que prevê um pleito dividido entre mostrar apoio, ou não, ao atual presidente da República.

— Infelizmente esse momento tão oportuno de discutir melhor os problemas de cada cidade é pouco aproveitado pela política, porque a eleição vira um espécie de plebiscito do governo — afirmou a professora, em entrevista ao jornalista Glauco Faria, da Rede Brasil Atual (RBA).

‘Agenda moral’

Bolsonaro tenta cumprir os prazos legais para oficializar seu partido, o Aliança pelo Brasil, ainda no primeiro trimestre deste ano e, assim, lançar candidatos pela nova sigla. Os dirigentes da nova legenda ainda não se manifestaram, diretamente, sobre nomes que apoiarão, nas principais cidades brasileiras.

Embora a nova legenda possa não ser legalizada a tempo de participar do pleito, de acordo com Segurado, candidatos alinhados ao governo tendem a usar o nome do presidente, na tentativa de emplacar pontos de uma “agenda moral”.

O risco, segundo a professora, é que as campanhas, empreendidas na lógica de “plebiscito” sobre o governo, sejam inclusive deseducativas, tratando de questões que não são da alçada municipal ou ainda repetindo, como no pleito presidencial, as chamadas fake news.

— Acho que para o cidadão comum a eleição deveria ser um processo de ampliação do conhecimento sobre a política. Então os eleitores precisam compreender essas dimensões para saber onde reivindicar seus direitos, como podem propor medidas que possam transformar a vida cotidiana. Espero que a imprensa acompanhe efetivamente isso, porque uma política com base na desinformação, com base na mentira, não promove a cidadania, ao contrário, retira a cidadania e o espírito democrático de um país e de uma cidade — conclui a cientista política.

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