Irã diz ter feito prisões relacionadas a desastre de avião

Arquivado em: América do Norte, Europa, Manchete, Mundo, Últimas Notícias
Publicado terça-feira, 14 de janeiro de 2020 as 10:47, por: CdB

O presidente Hassan Rouhani prometeu uma investigação minuciosa do “erro imperdoável” de se abater a aeronave e fez um pronunciamento pela televisão nesta terça-feira.

Por Redação, com Reuters – de Dubai

O Irã afirmou nesta terça-feira que prendeu um número não revelado de suspeitos acusados de envolvimento na derrubada de um avião de passageiros ucraniano, enquanto as manifestações contra o governo desencadeadas pelo desastre entraram no quarto dia.

Manifestantes protestam em Teerã, em 13 de de janeiro, em foto obtida pela Reuters em rede social
Manifestantes protestam em Teerã, em 13 de de janeiro, em foto obtida pela Reuters em rede social

A derrubada do voo 752 da Ukraine International Airlines na última quarta-feira, que matou todas as 176 pessoas a bordo, provocou uma das maiores contestações públicas aos governantes clericais do Irã desde que estes chegaram ao poder com a Revolução Islâmica de 1979.

No sábado, após dias negando a culpa, o Irã admitiu que abateu o avião durante um estado de alerta horas depois de ter disparado contra bases norte-americanas no Iraque para retaliar o assassinato de seu comandante militar mais poderoso.

Manifestantes, com estudantes na linha de frente, vêm realizando protestos contra o establishment desde sábado, alguns deles reprimidos com violência pela polícia.

Investigação

Vídeos gravados no país mostraram pessoas sendo carregadas, poças de sangue e o som de tiros. O nível geral dos tumultos é difícil de precisar por causa das restrições ao noticiário independente no país.

O presidente Hassan Rouhani prometeu uma investigação minuciosa do “erro imperdoável” de se abater a aeronave e fez um pronunciamento pela televisão nesta terça-feira, o mais recente de uma série de pedidos de desculpa de um líder que raramente admite erros.

O porta-voz do Judiciário iraniano, Gholamhossein Esmaili, disse que alguns dos acusados de terem ligação com o desastre aéreo já foram presos. Ele não identificou os suspeitos, nem disse quantos foram detidos.

A maioria das pessoas a bordo eram iranianas ou tinham dupla cidadania. Canadá, Ucrânia, Reino Unido e outras nações que tinham cidadãos no voo agendaram uma reunião em Londres na quinta-feira para estudar uma ação legal contra Teerã.

O desastre

O desastre e os tumultos subsequentes ocorrem em meio a uma das maiores escaladas entre Teerã e Washington desde a revolução de quatro décadas atrás que os tornou inimigos.

Ataques militares retaliatórios começaram com mísseis lançados contra uma base dos Estados Unidos que mataram um norte-americano em dezembro, e chegaram ao clímax quando Washington matou o arquiteto da rede regional de milícias a serviço do Irã, Qassem Soleimani, em um ataque de drone em Bagdá no dia 3 de janeiro.

Nos últimos dias, manifestantes bradaram “Clérigos, desapareçam!” e outros slogans contra o governo teocrático do Irã. Batalhões de choque espancaram alguns manifestantes com cassetetes, como mostraram postagens em redes sociais.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *