Irmãos Redgrave anunciam novo partido na Grã-Bretanha

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Publicado quinta-feira, 18 de novembro de 2004 as 21:15, por: CdB

A mais famosa família de atores da Grã-Bretanha promete lançar um novo partido político no país a fim de promover a luta pelos direitos humanos, que, segundo afirma, vêm sendo desrespeitados na “guerra contra o terror”.

Os irmãos Corin e Vanessa Redgrave, conhecidos tanto por seu ativismo de esquerda como por sua atuação nas telas e nos palcos, devem lançar o Partido da Paz e do Progresso, em Londres, no próximo dia 27.

O manifesto do partido inclui um apelo para a retirada das forças britânicas do Iraque e pela transferência dos britânicos suspeitos de terrorismo detidos na base militar dos EUA em Guantánamo (Cuba).

Os famosos irmãos ingressam assim em um amplo rol de estrelas do cinema, diretores de filmes e músicos que desejam usar sua arte e sua celebridade para se manifestar a respeito da forma como o mundo mudou depois dos ataques de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

Um grande número de artistas fez campanha contra George W. Bush antes de ele ser reeleito como presidente dos EUA, no começo deste mês.

Peças de teatro de fundo político tomaram conta dos palcos londrinos. Ao menos três sobre o tema da “guerra contra o terror” foram encenadas, entre as quais uma chamada “Embedded” (inserido, uma referência aos repórteres que acompanharam as forças invasoras no Iraque), dirigida pelo ator Tim Robbins.

Corin Redgrave defendeu o envolvimento dos artistas na política.

– Acho que esse é um sinal saudável – afirmou o ator em entrevista concedida por telefone à Reuters.

– Se artistas, atores, músicos e escritores sentissem que deveriam se limitar ao papel de celebridades e que não deveriam falar nada, então o mundo seria um lugar bastante terrível.

Apesar de não ter esperanças de conquistar uma vaga no Parlamento britânico nas eleições do próximo ano, Corin afirmou que ele e sua irmã pretendem chamar atenção para a questão dos direitos humanos.

Referindo-se às leis de combate ao terrorismo aprovadas na Grã-Bretanha, Corin disse: “O que resultou da guerra contra o terror e do pós-11 de setembro é que os presidentes e partidos encaram a questão dos direitos humanos cada vez mais como um obstáculo à segurança.”