Irritado, Bolsonaro chama reportagem de “patifaria”

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Publicado quarta-feira, 30 de outubro de 2019 as 10:14, por: CdB

Bastante irritado, Bolsonaro fez uma transmissão ao vivo e disse que “ou o porteiro mentiu, ou induziram o porteiro a cometer um falso testemunho ou escreveram algo no inquérito que o porteiro não leu e assinou embaixo em confiança ao delegado ou àquele que foi ouvi-lo na portaria”.

Por Redação, com DW e Agências de Notícias – de Brasília

O presidente Jair Bolsonaro classificou como “patifaria” reportagem divulgada na noite de terça-feira em que seu nome apareceu nas investigações do assassinato da vereadora Marielle Franco. O caso será analisado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Com a citação do nome do presidente, a lei requer que o caso seja analisado pelo Supremo Tribunal Federal
Com a citação do nome do presidente Jair Bolsonaro, a lei requer que o caso seja analisado pelo Supremo Tribunal Federal

Segundo o noticiário, o porteiro do condomínio no Rio de Janeiro onde mora o presidente afirmou, em depoimento à polícia, que um dos principais suspeitos de matar Marielle, o ex-policial Élcio Queiroz, buscou a casa de Bolsonaro na mesma data do crime, em 14 de março de 2018.

Como resposta, Bolsonaro fez uma transmissão de vídeo ao vivo em uma rede social de madrugada na Arábia Saudita, onde está em visita oficial.

– Eu tenho registrado no painel eletrônica da Câmara 17h41, ou seja, 31 minutos depois da entrada desse elemento no condomínio, e tenho também 19h36, e tenho também registrado no dia anterior e no dia posterior as minhas digitais no painel de votação – disse presidente visivelmente alterado.

– O que cheira isso aqui, não quero bater o martelo, o que parece: ou o porteiro mentiu, ou induziram o porteiro a cometer um falso testemunho ou escreveram algo no inquérito que o porteiro não leu e assinou embaixo em confiança ao delegado ou àquele que foi ouvi-lo na portaria – completou.

– Eu quero falar sobre esse processo. Vou chegar na madrugada de quinta-feita, a partir dessa madrugada estou à disposição de vocês. Senhor delegado, quero te ouvir, olhar nos seus olhos, e que o senhor faça perguntas para mim, quero te responder – garantiu.

“Patifaria”

– Parem de trair o brasil. Vocês não estão traindo a mim, estão traindo o Brasil – disse, avisando à Globo que acabou a “mamata”, lembrando o fim do aporte de “bilhões” em publicidade estatal.

– Temos uma conversa em 2022. Tenho de estar morto até lá. Porque o processo de renovação da concessão não vai ser perseguição. Nem para vocês, nem para TV, nem rádio nenhuma. O processo tem de estar enxuto, tem de estar legal. Não vai ter jeitinho para vocês nem para ninguém. É essa a preocupação de vocês? Continuem fazendo essa patifaria contra o presidente Jair Bolsonaro e sua família. Continua, TV Globo. Vocês já perderam a credibilidade no Brasil – afirmou o presidente.

No dia 14 de março, Élcio se reuniu com Ronnie Lessa, outro acusado de cometer o assassinato, no condomínio Vivendas da Barra, na Barra da Tijuca, onde Lessa também têm casa.

De acordo com a reportagem, Élcio chegou à portaria do condomínio, solicitou entrada no local e foi autorizado por alguém na casa de Bolsonaro, então deputado federal. O livro de visitantes mostra que, às 17h10, o ex-PM informou que iria à casa 58, mas acabou se dirigindo para a propriedade de número 66, que é de Lessa.

Ainda segundo um portal conservador carioca, no registro geral de imóveis, a casa 58 está em nome de Jair Messias Bolsonaro. O presidente também é proprietário do imóvel de número 36 naquele condomínio, onde mora um de seus filhos, o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

Ao observar pelas câmeras do condomínio que o visitante não se dirigia ao número que informara, o porteiro teria ligado novamente à casa 58. Segundo ele, a pessoa que atendeu disse que sabia para onde Élcio estava indo.

Ainda em depoimento à polícia, o porteiro teria dito que, nas duas vezes em que ligou para a casa 58, identificou a voz no interfone como sendo a do “Seu Jair”. No entanto, os registros de presença da Câmara dos Deputados constam que Bolsonaro estava em Brasília na data.

A investigação está recuperando os arquivos de áudio da guarita do condomínio para saber com quem o porteiro conversou e quem estava na casa 58, afirmou o telejornal.

Questionado pelo noticiário televisivo, o advogado do presidente, Frederick Wassef, afirmou que o depoimento “é uma mentira, uma fraude, é uma farsa”.

Mais tarde, o presidente apareceu em uma transmissão ao vivo pelo Facebook, proferindo ataques à rede de televisão conservadora carioca. Ele disse que quer prestar depoimento ao delegado que comanda a investigação e disse que não pedirá sigilo. “O porteiro é vítima de uma farsa”, declarou.

Élcio e Lessa estão presos desde março deste ano e foram denunciados pelo Ministério Público (MP) sob acusação de terem executado Marielle. Após a reunião na casa de Lessa, os dois teriam deixado o condomínio e cometido o crime contra a vereadora do Psol.

Como houve menção ao nome do presidente da República, a lei requer que o caso seja analisado pelo STF. Segundo o Jornal Nacional, representantes do MP do Rio foram até Brasília para uma consulta com o ministro Dias Toffoli, presidente do Supremo.

Eles teriam questionado se poderiam continuar a investigação após o nome de Bolsonaro ter sido mencionado. Toffoli ainda não se pronunciou sobre a questão.

Governador do Rio nega interferência política

Em nota oficial, Witzel afirmou que não compactua com vazamentos e negou interferência política nas investigações. “Lamento profundamente a manifestação intempestiva do presidente Jair Bolsonaro. Ressalto que jamais houve qualquer tipo de interferência política nas investigações conduzidas pelo Ministério Público a cargo da Polícia Civil”, afirmou.