Isolado, Bolsonaro divulga notícias falsas e compromete ministro

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Publicado terça-feira, 11 de janeiro de 2022 as 18:46, por: CdB

As investigações começaram em junho de 2021, para apurar a existência de uma organização criminosa que teria agido com a finalidade de atentar contra o Estado democrático de direito, organizar atos e ameaçar instituições. Um dos envolvidos no escândalo, o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, alvo de um pedido de prisão preventiva, encontra-se foragido da Justiça.

Por Redação – de Brasília

Por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, foram prorrogadas nesta segunda-feira, por mais 90 dias, as investigações sobre a milícia digital que propaga notícias falsas e discurso de ódio, em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (PL) nas redes sociais. Esta é a segunda prorrogação do inquérito. A primeira ocorreu em outubro do ano passado.

O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos deixa o gesto pornográfico de recado para o STF, após sair do país e não deixar o endereço
O blogueiro bolsonarista Allan dos Santos deixa o gesto pornográfico de recado para o STF, após sair do país e não deixar o endereço

As investigações começaram em junho de 2021, para apurar a existência de uma organização criminosa que teria agido com a finalidade de atentar contra o Estado democrático de direito, organizar atos e ameaçar instituições. Um dos envolvidos no escândalo, o blogueiro bolsonarista Allan dos Santos, alvo de um pedido de prisão preventiva, encontra-se foragido da Justiça.

Santos encontrou-se com o ministro das Comunicações, Fábio Faria, durante reunião de uma igreja evangélica em Orlando (FL-EUA) na semana passada e o ato repercutiu na volta da autoridade ao país, levando-o a negar que soubesse com antecedência da presença do fugitivo no mesmo salão paroquial, para uma palestra.

Covardia

Após as negativas, Faria foi chamado de “covarde” por Allan dos Santos na véspera e, em resposta nesta manhã, o ministro retrucou que a intenção do blogueiro seria a de “desgastar o governo”.

— Eu sei o transtorno que ia causar para o governo. Não estaria ali como Fábio Faria, deputado federal, mas como ministro do Bolsonaro. E iam usar isso para desgastar. Isso era fácil prever. Duvido que o senhor Allan dos Santos não tinha essa dimensão de que iam tentar arrastar o governo para dentro desse episódio — disse Faria, a jornalistas.

A declaração, feita ao programa matutino de um canal de TV norte-americano faz parte de sua justificativa por aparecer ao lado de um foragido da Justiça, o que levou Santos a acusar o ministro de covardia.

— O lugar dos covardes está bem reservado — ameaçou o blogueiro.

‘Oportunista’

Faria, no entanto, teria sido autorizado pelo próprio Bolsonaro a encontrar Allan dos Santos, o que coloca o mandatário, mais uma vez, na cena do crime em fase de investigação no STF. Diante outro deslize do presidente, seu isolamento fica mais evidente junto aos segmentos militares que sustentam o governo.

Nesta terça-feira, em artigo no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP), a jornalista Cristina Serra comenta sobre o desentendimento entre Bolsonaro e o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), almirante Antonio Barra Torres. O fato gerou um forte incômodo junto à caserna.

“Barra Torres vem se afastando do presidente, mas daí a considerar que estão em campos opostos vai uma longa distância”, escreveu Cristina Serra. A colunista avalia, ainda, que a posição agora adotada por Barra Torres está entre os “movimentos oportunistas” que têm isolado o chefe do Executivo.

Cloroquina

“Agora que Bolsonaro derrete nas pesquisas, outros tomam atitudes que contrariam o chefe. O comandante do Exército, Paulo Sérgio de Oliveira, determinou a vacinação contra a covid para que militares retornem ao trabalho presencial. E proibiu que divulguem notícias falsas em redes sociais. Oliveira foi quem poupou o general Pazuello de punição quando este participou de um ato com Bolsonaro, em evidente transgressão disciplinar”, acrescentou.

“Outro exemplo é o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, que toma ares de democrata ao assumir cargo no TSE. É o mesmo que celebra o golpe de 1964 e que jogou dinheiro público no lixo ao autorizar a produção de cloroquina no laboratório do Exército”, continuou.

“São movimentos oportunistas, típico ‘reposicionamento de marca’ de uma parcela dos militares. Bolsonaro não serve mais como instrumento de seu projeto de poder e, ao que parece, eles irão buscar alternativas. Isso não os torna menos golpistas nem anula o fato, negativo em todos os sentidos, de que estão fazendo política quando deveriam estar nos quartéis”, pontua.

‘Rebelião’

Bolsonaro, no entanto, não desiste de sua posição negacionista. Em entrevista a uma rádio paulistana, nesta manhã, Bolsonaro previu que o país não resistirá às novas medidas de restrição de circulação para tentar reduzir o avanço da variante Ômicron. Em tom alarmista, chegou a afirmar que poderão haver caos e rebelião no país, impossíveis de serem contidos.

— O Brasil não resiste a um novo lockdown (confinamento). Será o caos. Será aqui uma rebelião, explosão de ações onde grupos vão defender o direito à sobrevivência deles. Não teremos Forças Armadas suficientes para Garantia da Lei e da Ordem. Pessoal entende isso ou está cavando a própria sepultura. Não adianta acusar de que tinha que ser feito diferente. Onde não morreu ninguém no mundo? — questiona, no pano de fundo de mais uma notícia falsa.

Em momento algum, porém, o país passou por um confinamento severo ou decretou o fechamento geral de atividades, conforme ocorreu em países da Europa. A fala do presidente ocorre no momento em que governadores e prefeitos, por todo o país, passam a adotar ou a debater sobre novas medidas de restrição de circulação, com o único objetivo de conter o avanço da variante Ômicron e dos surtos da gripe influenza, em alta após as festas de fim de ano.

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