Isolado, Bolsonaro perde prestígio e eleva atrito com a Justiça

Arquivado em: Brasil, Últimas Notícias
Publicado domingo, 12 de abril de 2020 as 19:32, por: CdB

Longe de um desfecho no embate contra o isolamento social, exigência do Ministério da Saúde, o presidente também se vê esvaziado em seu poder.

Por Redação – de Brasília
Bolsonaro posa em foto ao lado de Pegoraro, o homem que ameaçou de morte o governador de São Paulo, João Doria
Bolsonaro posa em foto ao lado de Pegoraro, o homem que ameaçou de morte o governador de São Paulo, João Doria

Isolado em seu próprio governo, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) elevou a área de desentendimento com o Judiciário ao apoiar, na noite passada, o movimento de ultradireita que provocou uma aglomeração na Avenida Paulista, do qual participou o advogado Marcelo Pegoraro. O profissional, que participa da formação do partido Aliança pelo Brasil, ligado ao presidente, foi indiciado neste domingo pela Policia Civil de São Paulo.

Pegorato, amigo pessoal de Bolsonaro, ameaçou de morte o governador de São Paulo, João Doria. O presidente também apoiou a manifestação contra Doria. As ameaças ao governador foram feitas por volta das 16h30, na avenida Paulista, em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), quando um grupo de bolsonaristas se manifestava contra a politica de isolamento social adotada por Doria.

Mandetta

Longe de um desfecho no embate contra o isolamento social, exigência do Ministério da Saúde, o presidente também se vê esvaziado em seu poder. Depois de ameaçar de demissão o ministro Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e voltar atrás, Bolsonaro foi confrontado por ele do porquê não o exonerou, até agora.

“A cena ocorreu em reunião ministerial convocada de última hora na segunda-feira (6) e foi presenciada por outros ministros, além do vice-presidente, o general Hamilton Mourão” revela uma reportagem do diário conservador paulistano Folha de S. Paulo. “De acordo com quatro auxiliares do presidente ouvidos pela Folha, em condição de anonimato, Bolsonaro arregalou os olhos, ficou em silêncio e demonstrou surpresa diante do questionamento direto de Mandetta”.

Segundo o jornal, “ministros militares tentaram contornar a situação. O ministro seguiu. Disse que Bolsonaro cobrava confiança da equipe, mas que isso era uma via de mão dupla. Também questionou o motivo de sua nomeação, se ele não o ouvia para questões de saúde. Ali, transparecia sua irritação por ter sido excluído de reunião do presidente com médicos no Palácio do Planalto para tratar da hidroxicloroquina, medicamento no centro das discussões sobre possíveis tratamentos do novo coronavírus”.

Emparedado

“O questionamento de Mandetta motivou o diálogo entre o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, e o deputado e ex-ministro Osmar Terra (MDB-RS) na quinta-feira”, continua.

— O que aconteceu na reunião eu não teria segurado, eu teria cortado a cabeça dele — disse Onyx a Osmar Terra em conversa divulgada pela CNN Brasil.

Terra foi um dos presentes na reunião convocada por Bolsonaro no Planalto para falar do uso da hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19. Mandetta não foi chamado e soube do encontro pela imprensa.

“A reunião ministerial em que Mandetta emparedou Bolsonaro durou duas horas. No Ministério da Saúde, a demissão era considerada certa, e as gavetas do ministro chegaram a ser esvaziadas. O episódio ilustra como o presidente tem conduzido a crise do coronavírus. Se, para dentro do governo, a caneta não é tão mais forte assim —com militares assumindo a dianteira da crise e Mandetta mantendo, por ora, sua independência—, para fora Bolsonaro joga para a plateia”, conclui.

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