Isolamento social produz onda de desemprego inédita no Rio

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Publicado sábado, 25 de abril de 2020 as 16:41, por: CdB

No levantamento, 16,1% dos entrevistados disseram que o isolamento – provocado pela pandemia do novo coronavírus – resultou em demissão de funcionários. Outros 19% disseram que ainda pretendem demitir. Em média, são dois trabalhadores demitidos por empresa.

Por Redação, com ABr – do Rio de Janeiro

Pesquisa realizada pelo Instituto Fecomércio RJ (IFec RJ) nos últimos dias 14 e 15 deste mês e divulgada neste sábado, junto a 554 empresas de todos os portes do setor formal de comércio e serviços do Estado do Rio de Janeiro, revelou que o isolamento social produz um impacto inédito no mercado de trabalho da capital.

Em tempos de isolamento social, a estátua de Michael Jackson, no Morro Dona Marta, em Botafogo, foi paramentada com uma máscara higiênica
Em tempos de isolamento social, a estátua de Michael Jackson, no Morro Dona Marta, em Botafogo, foi paramentada com uma máscara higiênica

No levantamento, 16,1% dos entrevistados disseram que o isolamento – provocado pela pandemia do novo coronavírus – resultou em demissão de funcionários. Outros 19% disseram que ainda pretendem demitir. Em média, são dois trabalhadores demitidos por empresa.

O diretor do IFec RJ, João Gomes, disse a jornalistas que, em termos absolutos, 335,5 mil pessoas foram ou serão demitidas. Esse número pode alcançar 464 mil pessoas se a ele forem somados os 128,5 mil empresários que trabalham no próprio negócio e ficarão sem trabalho caso sua empresa venha a fechar. Esse contingente é superior à população de 91% dos municípios fluminenses, diz a pesquisa.

— É um cenário bem complicado — sublinhou o diretor.

Insuficiência

O estudo revela que o impacto negativo sobre o mercado de trabalho decorre da queda da demanda pelos bens e serviços oferecidos pelo setor de comércio e serviços, percebida por 92% dos empresários; e, também, das medidas adotadas até agora pelo governo federal, consideradas insuficientes para atravessar esse momento de pandemia por 74,2% dos consultados.

Desse total, 28% disseram não ter tido acesso à principal medida anunciada pelo governo até o momento, que foi a destinação de R$ 40 bilhões para financiamento emergencial da folha de pagamento de funcionários, por dois meses, para apoiar micro e pequenas empresas. No Estado do Rio de Janeiro, são 290 mil microempresas ao todo, informou João Gomes.

O diretor do Instituto Fecomércio RJ afirmou que as microempresas estão fora, devido ao limite estabelecido para candidatura ao financiamento, que é para empresas com faturamento entre R$ 360 mil e R$ 10 milhões por ano.

Burocracia

Cerca de 27% dos empresários do setor de comércio e serviços fluminense empregam entre um e quatro funcionários. Portanto, a maioria não fatura R$ 360 mil/ano, o que os exclui da medida anunciada pelo governo federal.

— Não têm acesso por serem microempresários — apontou o diretor do IFec RJ.

De acordo com o estudo, ficam excluídos da proposta em torno de 381,5 mil pessoas ocupadas, sendo 253 mil trabalhadores e 128,5 mil empregadores. Outros 27,7% dos consultados afirmaram que o acesso às medidas tomadas envolve um processo burocrático, enquanto 27,3% acreditam que a quantidade de recursos disponibilizada até agora é insuficiente.

— Você tem limitação da canalização do recurso, tem problema com capital, com aluguel, com fornecedor. O microempresário que está lutando ali no dia a dia, está com as portas fechadas e não tem canal de venda ‘online’. Ele faz o quê? — questiona Gomes.

Segundo o IFec RJ e considerando dados de dezembro, a taxa de desemprego no Estado, igual a 13,7%, subiria para 19%, em decorrência das demissões registradas no mercado de trabalho formal do setor de comércio e serviços no período de crise.