Jair Bolsonaro e PSL disputam controle de R$ 737 milhões

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Publicado quarta-feira, 9 de outubro de 2019 as 14:15, por: CdB

Nesta semana, o presidente Jair Bolsonaro aconselhou um apoiador a “esquecer o PSL”.

Por Redação, com Vermelho – de São Paulo

Por trás do imbróglio envolvendo Jair Bolsonaro e o seu partido, o PSL, está uma disputa pelo controle de R$ 737 milhões. A informação é do colunista Bernardo Mello Franco, do diário conservador carioca O Globo. Este o valor que a legenda deverá receber dos cofres públicos até 2022, segundo cálculos de Bruno Carazza, autor do livro “Dinheiro, Eleições e Poder”. A conta ainda pode engordar caso os parlamentares aprovem o sonhado aumento no fundo eleitoral.

Segundo o blogueiro, após Bolsonaro atacar o partido e o presidente da sigla, Luciano Bivar, a quem chamou de “queimado”, a saída do presidente do PSL é dada como certa. “O casamento está perto do fim”, anuncia.

A conta ainda pode engordar caso os parlamentares aprovem o sonhado aumento no fundo eleitoral
A conta ainda pode engordar caso os parlamentares aprovem o sonhado aumento no fundo eleitoral

No entanto, diz Bernardo Mello, o cartório milionário está nas mãos de Bivar, um dublê de empresário e cartola de futebol.

“Em 2006, ele concorreu ao Planalto e terminou em último lugar, atrás do folclórico Eymael. Doze anos depois, tirou a sorte grande ao alugar a legenda para Bolsonaro”.

Lembrou que até o ano passado, o PSL passava despercebido na sopa de letrinhas da política brasileira. Vivia de migalhas do fundo partidário e do comércio de segundos na propaganda obrigatória. Com a eleição de Bolsonaro, a pequena sigla virou um grande negócio. Passou a receber mais dinheiro público que PT e PSDB.

Destacou que a sigla elegeu 52 deputados e quatro senadores, quase todos novatos. Foi um crescimento exponencial. Na eleição anterior, o PSL havia conquistado uma única cadeira na Câmara.

“O presidente (Bolsonaro) nunca se notabilizou pela fidelidade partidária. Começou no extinto PDC e perambulou por outras oito siglas, incluindo o PTB de Roberto Jefferson e diferentes encarnações do PP de Paulo Maluf. Em 2018, flertou com o Patriota do Cabo Daciolo antes de trocar alianças com Bivar”, disse o colunista.

Ao anunciar a filiação, Mello diz que Bolsonaro deixou claro que fazia um acordo de interesses. “Dificilmente ele sobreviveria à cláusula de barreira, e eu, sem partido, não seria candidato. Então estamos fazendo um casamento”, explicou Bolsonaro na época.

“Como acontece em muitas famílias, o aumento do patrimônio precipitou o desgaste da relação. Bolsonaro valorizou a casa, mas não conseguiu tomar a chave do cofre. Agora ele tentará negociar a partilha de bens antes de decidir se assina o divórcio”, finalizou.

“Esquece o PSL”

Na terça-feira, ao falar com apoiadores na porta do Palácio da Alvorada, o presidente Jair Bolsonaro cochichou para um jovem apoiador: “esquece o PSL”. Ele também afirmou que o presidente nacional da legenda, Luciano Bivar, estava “queimado”.

O diálogo pode ser escutado no programa do Youtube Cafezinho com Pimenta, que grava os tradicionais encontros de Bolsonaro do lado de fora do Alvorada, em Brasília. O presidente estava acompanhado do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

Bolsonaro fez a declaração ao ser abordado por um homem que se apresentava como pré-candidato do PSL em Recife. O presidente então falou ao pé do ouvido do jovem: “esquece o PSL, tá ok, esquece”.

Em seguida, o apoiador faz um vídeo ao lado do político e diz: “Eu, Bolsonaro e Bivar, juntos por um novo Recife”.

Logo após a gravação, Bolsonaro comenta: “Não divulga isso não cara. O cara tá queimado para caramba lá. Vai queimar meu filme. Esquece esse cara. Esquece o partido”. O jovem concorda e diz que vai apagar as imagens: “Vou esquecer”. Depois, ele consegue se aproximar novamente do presidente e grava novo vídeo, falando apenas: “Viva o Recife, eu e Bolsonaro”.

Bivar, que é deputado federal por Pernambuco, está sendo investigado pelo Ministério Público Eleitoral do estado por por suspeitas de caixa dois em sua campanha.

A legenda vive um momento crítico devido às denúncias de que usou candidatas laranjas para desviar verbas. O caso levou à saída de Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência em fevereiro.

O Ministério Público Eleitoral de Minas Gerais apresentou na última sexta-feira à Justiça denúncia contra o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio (PSL), e mais 10 pessoas, por crimes relacionados à apresentação de candidaturas de fachada do PSL nas eleições de 2018.

O porta-voz da Presidência da República, Otávio do Rêgo Barros, informou após a notícia do indiciamento pela PF que “o presidente (Jair Bolsonaro) aguardará o desenrolar do processo e o ministro permanece no cargo”.

Em nota também divulgada após a revelação do indiciamento pela PF, o Ministério do Turismo afirmou que Antônio ainda não havia sido notificado oficialmente da decisão, mas reafirmava sua confiança na Justiça e sua convicção de que a verdade prevalecerá e sua inocência será comprovada.

Bolsonaro se filiou ao PSL para concorrer à presidência, mas poderia estar deixando o partido. Na segunda-feira o porta-voz da Presidência, Otávio Rêgo Barros, afirmou que o político não pretende mudar de sigla: “Não há da parte do presidente, agora, nenhuma formulação com relação a uma suposta transição do partido”.

Luciano Bivar nega existência de caixa 2

O presidente do PSL, deputado federal Luciano Bivar (PE), disse nesta segunda-feira que não faz sentido a suspeita de caixa 2 na campanha do presidente Jair Bolsonaro na investigação do suposto esquema irregular das campanhas do partido em Minas Gerais.

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