Japão avisa que vai matar quantas baleias quiser no ano que vem

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Publicado quarta-feira, 26 de dezembro de 2018 as 13:01, por: CdB

Em poucas palavras, o governo japonês justificou a retomada da caça às baleias pela “ausência de concessões por parte dos países que se preocupam apenas com a proteção animal”.

 

Por Redação, com agências internacionais – de Tóquio

 

O aviso que o Japão emitiu, nesta quarta-feira, aos demais países do mundo, foi desafiador. O país vai matar quantas baleias quiser, já a partir de julho do ano que vem, no minuto seguinte que cessar a validade do acordo firmado no âmbito da Comissão Baleeira Internacional (CBI). A matança de cetáceos para fins comerciais revolta os defensores dos animais.

A caça indiscriminada de baleias quase levou a espécie à extinção
A caça indiscriminada de baleias quase levou a espécie à extinção

Em poucas palavras, o governo japonês justificou a retomada da caça às baleias pela “ausência de concessões por parte dos países que se preocupam apenas com a proteção animal”. Segundo as autoridades do país, evidências científicas confirmariam o aumento nos números certas espécies de baleias. A medida gerou imediato repúdio dos países da Oceania e Austrália.

Revolta

Ministro das Relações Exteriores da Nova Zelândia, Winston Peters, enviou uma dura mensagem aos japoneses, na qual denuncia “uma prática obsoleta e inútil”. O tom se repetiu no protesto mundial das organizações que protegem o meio ambiente.

— A decisão do Japão está fora de sintonia com a comunidade internacional e ignora a necessidade de proteger nossos oceanos e essas criaturas majestosas — disse Sam Annesley, chefe da filial japonesa do Greenpeace.

Para François Chartier, do Greenpeace francês,“a prioridade, hoje, deveria ser a proteção dessas espécies de diferentes ameaças, sendo que a caça é apenas uma delas”. O ativista lembrou, ainda, que os japoneses consomem cada vez menos carne de baleia e “que o problema tem que ser visto sob uma perspectiva geopolítica em relação à CBI e de afirmação nacionalista no Japão”.

Já a norte-americana Humane Society International (HSI) foi ainda mais contundente e denuncia que o Japão “esteja se tornando uma nação pirata baleeira”.

Caça regular

Integrantes do Partido Liberal Democrático (PLD), de apoio ao conservador primeiro-ministro Shinzo Abe, defendem “a riqueza dessa cultura” de matar baleias, segundo as palavras do porta-voz do governo.

— Esperamos que essa decisão passe para a próxima geração — torce Yoshihide Suga, sem se preocupar com os danos da prática à vida nos oceanos e, consequentemente, em todo o planeta.

Japão, Islândia e Noruega insistem em manter a caça comercial de baleias. Estes países seguiam, de 2014 até agora, a determinação da Corte Internacional de Justiça. O tribunal estabeleceu que o país deveria cessar toda e qualquer a caça regular de baleias. Mas, ainda assim, os pescadores japoneses driblaram a ordem judicial.

Nesta última temporada, encerrada agora, os pescadores japoneses mataram mais de 600 baleias, em expedições científicas na Antártica e no Pacífico, sob o disfarce de que precisavam de indivíduos para pesquisa. Com a retirada do protocolo, no ano que vem, segundo o governo japonês, a matança ficará restrita às águas territoriais e à zona econômica japonesas no Pacífico.

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