Japão pede duas semanas sem eventos esportivos por preocupação com coronavírus

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Publicado quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020 as 12:17, por: CdB

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, pediu nesta quarta-feira que todos os eventos esportivos e culturais sejam suspensos ou limitados durante duas semanas, como parte da luta para conter a disseminação do coronavírus.

Por Redação, com Reuters – de Tóquio

O primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, pediu nesta quarta-feira que todos os eventos esportivos e culturais sejam suspensos ou limitados durante duas semanas, como parte da luta para conter a disseminação do coronavírus em meio aos temores crescentes de que a Olimpíada de Tóquio possa ser cancelada.

Pessoas com máscara de proteção passam pelos anéis olímpicos em Tóquio
Pessoas com máscara de proteção passam pelos anéis olímpicos em Tóquio

O apelo de Abe veio no momento em que a liga de beisebol de Tóquio informou que realizará partidas sem espectadores até 15 de março. Duas empresas do centro da capital japonesa confirmaram infecções, um dia depois de o governo orientar as firmas a mandar funcionários trabalharem em casa.

Hokkaido, ilha do norte que tem 38 casos e se tornou a região mais afetada depois de Tóquio, relatou mais uma vítima fatal do vírus, o que eleva o total de mortes do país a 6, incluindo 4 em um navio de cruzeiro. Hokkaido fechará algumas escolas durante alguns dias a partir de quinta-feira.

– Levando em conta que a próxima semana ou duas são extremamente importantes para deter a disseminação da infecção, o governo considera existir um risco grande de transmissão em eventos esportivos e culturais e grandes aglomerações de pessoas – disse Abe no Parlamento.

Até meados da tarde desta quarta-feira, o Japão tinha quase 170 casos do vírus semelhante à gripe, tirando os 691 relatados em um navio de cruzeiro em quarentena no litoral de Tóquio neste mês.

A doença que surgiu na cidade chinesa central de Wuhan no final do ano passado se espalhou rapidamente, infectando cerca de 80 mil pessoas e matando mais de 2,7 mil, a grande maioria na China continental.

O Japão redirecionou sua estratégia para a contenção do contágio na tentativa de desacelerar sua propagação e minimizar o número de mortes.

Mais cedo nesta quarta-feira, a ministra a cargo da Olimpíada tentou apaziguar os temores de que o evento possa ser cancelado.

Mudança de calendário

Dick Pound, membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), disse que é mais provável cancelar do que adiar ou transferir os Jogos se a ameaça do vírus forçar uma mudança de calendário, relatou a agência de notícias Associated Press, e que uma decisão será necessária até maio.

– O COI está se preparando para os Jogos de Tóquio tal como programado – disse a ministra Seiko Hashimoto no Parlamento ao ser indagada sobre o comentário de Pound. “Continuaremos nossos preparativos para que o COI possa tomar decisões sensatas”.

Na semana passada, Tóquio adiou o treinamento de voluntários olímpicos.

Moradores de Tóquio

Enquanto Tóquio se prepara para receber visitantes estrangeiros nos Jogos Olímpicos em julho, alguns moradores da cidade estão preocupados com os mais de 100 jatos voando baixo por dia que o evento levará à capital japonesa.

A partir de 29 de março, 45 aviões de passageiros por hora descerão sobre Tóquio em duas novas rotas de aproximação do aeroporto por até três horas. Eles voarão até 300 metros acima dos bairros próximos ao aeroporto de Haneda.

– Há muito risco e pouco mérito, poucos moradores estão felizes – disse Kiwami Omura, chefe do Projeto Haneda para Solução de Problemas, um grupo que tenta unir frentes da oposição nas 23 alas de Tóquio. Ele afirmou que o governo “está usando as Olimpíadas para impulsionar esse plano, mas os voos continuarão quando (o evento) acabar”.

As rotas de aproximação fazem parte de um esforço renovado para expandir o acesso aéreo à maior área metropolitana do mundo. As autoridades de aviação lutam há décadas para aumentar a capacidade diante da oposição feroz à construção de aeroportos, incluindo o outro aeroporto de Tóquio, a 80 km.

Dar impulso a um novo plano de aviação que aumentará os voos para Tóquio em um terço para um milhão por ano faz parte do esforço do primeiro-ministro, Shinzo Abe, de fazer do turismo uma prioridade econômica.

A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, também quer tornar sua cidade mais competitiva globalmente, enquanto o restante do Japão luta contra o declínio da população.

As novas rotas ao centro de Tóquio adicionarão 39.000 voos por ano e, segundo o governo, ajudarão a impulsionar a economia japonesa em cerca de 6 bilhões de dólares. As companhias aéreas Japan Airlines, ANA e Delta Air Lines estão entre as que mais se beneficiam com o aumento de slots.

Para abrir as rotas, as autoridades de aviação japonesas tiveram que obter permissão das Forças Armadas dos Estados Unidos para que jatos comerciais passassem por uma parte do espaço aéreo restrito que circunda a Base Aérea de Yokota, no oeste de Tóquio.

O governo de Abe disse em agosto que “ganhou o entendimento” dos moradores de Tóquio. No entanto, os parlamentares da ala de Shinagawa, em Tóquio, perto de Haneda, continuam a se opor ao plano, pedindo medidas mais rigorosas de barulho e segurança e um compromisso de variar as rotas.

– Acredito que a decisão ignora o que os moradores querem – disse Jin Matsubara, um parlamentar independente, antes de uma reunião com representantes de grupos da oposição. “Meu círculo eleitoral está próximo de Haneda e o efeito do ruído e da queda de objetos pode ser significativo.”

Syota Suyama, funcionário do Ministério de Infraestrutura Terrestre de Transportes, admitiu que ainda há trabalho a ser feito. “Estamos cientes de que ainda precisamos tranquilizar as pessoas”.

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