Jeremy Irons em Berlim, nem sexista e nem homofóbico

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Publicado sábado, 22 de fevereiro de 2020 as 09:57, por: CdB

O ator e presidente do júri deste ano da principal competição do Festival Internacional de Cinema de Berlim, Jeremy Irons, aproveitou a entrevista coletiva do Júri com a imprensa, para corrigir a impressão deixada, em outras entrevistas no passado, e que voltaram a circular, negando ser sexista e homofóbico.

Rui Martins, do Festival Internacional de Cinema de Berlim:
Jeremy Irons Berlinale
Jeremy Irons quis limpar a má impressão deixada no passado

Agora só falta mesmo o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) aproveitar essa onda para se desculpar. Para evitar que o rumor negativo pudesse comprometer o Festival, também conhecido como Berlinale, Jeremy Irons fez uma declaração, transcrita e incluída no site oficial do Festival iniciado ontem e que transcrevemos aqui na íntegra.

“Antes de começarmos a trabalhar seriamente, eu gostaria – não como presidente do júri, mas em nível pessoal – abordar vários comentários que eu supostamente fiz no passado e que ressurgiram em algumas seções da imprensa nas últimas semanas. Eu gostaria de não ter que me demorar com isso, mas não quero que isso continue como uma distração para a Berlinale.

Meus comentários anteriores – já refutados e desculpados – referem-se a três assuntos. Três assuntos que estão muito em nossa mente hoje em dia, e com razão: abuso sexual, casamento entre pessoas do mesmo sexo e aborto.

Permitam-me esclarecer todas as minhas opiniões sobre esses assuntos específicos de uma vez por todas.

Em primeiro lugar, apoio de todo o coração o movimento global para tratar da desigualdade dos direitos das mulheres e protegê-las de assédio abusivo, prejudicial e desrespeitoso, tanto em casa quanto no local de trabalho.

Em segundo lugar, aplaudo a legislação do casamento entre pessoas do mesmo sexo onde quer que tenha sido alcançada, e espero que essa legislação esclarecida continue a se espalhar por mais e mais sociedades.

Terceiro, apoio de todo o coração o direito das mulheres de fazer um aborto, se assim o decidirem.

Esses três direitos humanos são, acredito, etapas essenciais para uma sociedade civilizada e humana, pela qual todos devemos continuar lutando. Há muitas partes do mundo onde esses direitos ainda não existem; onde tais modos de vida levam à prisão e até à morte.

Espero que alguns dos filmes que assistiremos abordem esses problemas, entre muitos outros que enfrentamos em nosso mundo, e espero assistir a filmes da Berlinale deste ano que nos levarão a questionar atitudes, preconceitos e percepções da vida em todo o mundo.

Espero que isso tenha colocado abaixo meus comentários anteriores. Agradeço por ter vindo esta manhã e agora, vamos continuar com dez dias de investigação e celebração. ”

Rui Martins, do Festival Internacional de Cinema de Berlim.

Rui Martins é jornalista, escritor, ex-CBN e ex-Estadão, exilado durante a ditadura. É criador do primeiro movimento internacional dos emigrantes, Brasileirinhos Apátridas, que levou à recuperação da nacionalidade brasileira nata dos filhos dos emigrantes com a Emenda Constitucional 54/07. Escreveu Dinheiro sujo da corrupção, sobre as contas suíças de Maluf, e o primeiro livro sobre Roberto Carlos, A rebelião romântica da Jovem Guarda, em 1966. Foi colaborador do Pasquim. Vive na Suíça, correspondente do Expresso de Lisboa, Correio do Brasil e RFI.

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