Joesley Batista confirma que mala de dinheiro era pagamento a Temer

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Publicado segunda-feira, 6 de agosto de 2018 as 15:00, por: CdB

A acusação foi alvo de uma denúncia feia pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra Michel Temer. Joesley permanece solto e morando nas residências que mantém em São Paulo e Goiânia, entre outros endereços. Por ordem judicial, no entanto, está proibido de deixar o país.

A denúncia, porém, foi barrada na Câmara pela base aliada do governo. A propina estava atrelada à compra de gás da Empresa Produtora de Energia (EPE), que integra o grupo J&F.

 

Por Redação – de Brasília

 

Em novo depoimento à Justiça Federal, vazado para a mídia conservadora, o empresário Joesley Batista, um dos sócios do grupo J&F, reafirmou que pagou propina a Michel Temer. Joesley permanece solto e morando nas residências que mantém em São Paulo e Goiânia, entre outros endereços. Por ordem judicial, no entanto, está proibido de deixar o país. Tão logo deixe o governo, em janeiro do ano que vem, será a vez de Temer enfrentar as duas denúncias, com uma terceira a caminho, todas por corrupção.

Em seu depoimento, realizado por videoconferência à 15ª Vara Federal de Brasília, Joesley afirmou que a mala com R$ 500 mil encontrada com o ex-assessor do emedebista Rodrigo Rocha Loures por ocasião de sua prisão pela Polícia Federal, era apenas uma espécie de sinal de um acordo de R$ 400 milhões que seriam pagos por meio de suborno ao longo de 20 anos.

Joesley Batista está solto, mas proibido de deixar o país

A acusação foi alvo de uma denúncia feia pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot contra Michel Temer.

‘Oh! Funcionou!’

A denúncia, porém, foi barrada na Câmara pela base aliada do governo. Em seu depoimento ao procurador Ivan Cláudio Marx, Joesley ressaltou que o pagamento da propina estava atrelado à compra de gás da Empresa Produtora de Energia (EPE), que integra o grupo J&F, de fornecedores da Bolívia sem entraves burocráticos criados pela Petrobras.

O valor da propina foi estipulado em 5% do lucro da EPE. O pagamento teria sido acertado com Rocha Loures após um acerto prévio com o próprio Temer.

— Eu falei para o Rodrigo (Rocha Loures): R$ 500 mil ou R$ 1 milhão por semana. Então fizemos o contrato. Eu falei: oh!, funcionou! — afirmou Joesley.

No Jaburu

Segundo o empresário, o acerto da propina teria acontecido durante uma conversa com Temer no subsolo do Palácio do Jaburu, em Brasília. O empresário também confirmou ter feito pagamentos para comprar o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (MDB-RJ) e do ex-operador Lúcio Bolonha Funaro.

— Eu disse que tava dando dinheiro pro Lúcio, dava dinheiro para o Eduardo. Aí o Temer me surpreende ao dizer que tem que continuar. Aquela famosa frase dele: “tem que manter isso, viu”. Numa hora dessas o presidente manda que eu tenho que tenho que continuar. Me assustei muito quando ele falou que era para manter isso — afirmou Joesley.

Banco Original

Ainda nesta segunda-feira, o Conselho de Recursos do Sistema Financeiro Nacional (CRSFN), órgão do Ministério da Fazenda, manteve multa e condenou o Banco Original por operações triangulares de crédito irregulares a sociedades coligadas e ao Banco Rural. As operações, conhecidas no mercado financeiro como ‘troca de chumbo’, foram autorizadas por Joesley, um dos controladores do Original.

Em sua delação premiada, Batista afirmou à Procuradoria-Geral da República (PGR) que as operações existiram para ajudar o Banco Rural. Elas foram negociadas diretamente entre ele, então presidente da J&F, e José Roberto Salgado, ex-diretor Rural, condenado na Ação Penal 470, do Supremo Tribunal Federal (STF), conhecida como ‘mensalão”.

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