Johnson desafia adversários a concordarem com eleição em outubro

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Publicado quarta-feira, 4 de setembro de 2019 as 10:35, por: CdB

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, desafiou nesta quarta-feira o líder do Partido Trabalhista, de oposição, a concordar com uma eleição parlamentar em 15 de outubro.

Por Redação, com Reuters e DW – de Londres

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, desafiou nesta quarta-feira o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, de oposição, a concordar com uma eleição parlamentar em 15 de outubro, chamando um plano liderado pelos trabalhistas para tentar impedir um Brexit sem acordo de “rendição”.

Primeiro-ministro britânico, Boris Johnson

– Este governo retirará este país da União Europeia em 31 de outubro, e há apenas uma coisa que está no nosso caminho: a rendição atualmente proposta pelo líder da oposição (Corbyn) – disse Johnson ao Parlamento.

– Posso convidar o líder da oposição para confirmar, quando se levantar em breve, que se a rendição for aprovada ele permitirá que as pessoas deste país tenham sua opinião sobre o que ele propõe entregar em seu nome, com uma eleição em 15 de outubro? –acrescentou.

Brexit sem acordo

O parlamento britânico se rebelou na terça-feira contra o primeiro-ministro britânico, o conservador Boris Johnson, colocando em pauta uma moção suprapartidária visando impedir uma saída sem acordo da União Europeia (UE).

Por 328 votos a favor e 301 contra, os deputados aprovaram uma medida retirando do governo o controle da agenda parlamentar e possibilitando que seja debatida nesta quarta-feira, em caráter de urgência, uma legislação que obrigue Johnson a solicitar à UE um novo adiamento do Brexit, caso não seja alcançado um acordo antes de 31 de outubro.

Johnson ameaçou convocar eleições antecipadas, medida cuja aprovação necessita de dois terços dos votos do Parlamento. “Não quero eleição, mas se os deputados votarem para forçar outro adiamento inútil do Brexit, então esse será o único modo de resolver isso”, afirmou o premiê.

Para chegar ao resultado, 21 deputados do Partido Conservador votaram ao lado da oposição. A votação foi realizada horas depois de Johnson perder sua maioria no Parlamento britânico, com a ida de um deputado do seu Partido Conservador para o oposicionista Partido Liberal Democrata.

O parlamentar Philip Lee anunciou num comunicado sua mudança de partido, por não concordar com a postura do governo em relação ao Brexit. Em carta endereçada a Johnson e divulgada no Twitter, Lee afirmou que Londres está “perseguindo agressivamente um Brexit prejudicial”. Ele acusou o governo de “usar manipulação política, bullying e mentiras”.

Johnson tinha até então uma maioria apertada, de apenas uma cadeira, incluindo seu parceiro de coalizão, o Partido Unionista Democrático (DUP), da Irlanda do Norte.

Os legisladores retomaram os trabalhos nesta terça-feira após o recesso parlamentar de verão. Entre 10 e 20 conservadores dissidentes, incluindo o ex-ministro das Finanças Philip Hammond, planejaram votar junto com a oposição e aprovar uma moção suprapartidária visando impedir uma saída da União Europeia (UE) sem acordo em 31 de outubro.

O projeto de lei exige que Johnson peça ao bloco europeu que adie o Brexit para 31 de janeiro, a menos que o Parlamento britânico aprove um novo acordo ou vote por um Brexit sem acordo até 19 de outubro.

O primeiro-ministro insiste em manter em aberto a opção do no deal (divórcio sem acordo com a UE), na tentativa de forçar Bruxelas a fazer concessões de última hora e aceitar um acordo que seja mais favorável economicamente ao Reino Unido.

A decisão do premiê

A decisão do premiê, na semana passada, de suspender as atividades do Parlamento britânico por cinco semanas, a partir de 10 de setembro, acirrou ainda mais as tensões e gerou uma onda de protestos pelo país. Muitos acusam Johnson de atentar contra a democracia.

A manobra deixa os parlamentares pró-UE com poucos dias para tentar impedir uma ruptura dolorosa com a União Europeia. Em recesso de verão desde 25 de julho, o parlamento britânico retomou suas atividades nesta terça-feira e será suspenso novamente na próxima terça-feira.

Desde que assumiu o cargo em julho, após a renúncia de sua antecessora, Theresa May, Johnson promoveu uma reviravolta nas tradições políticas do país e inflamou os ânimos tanto das correntes favoráveis quanto das contrárias ao Brexit.

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