Jornalistas americanos são libertados e chegam a Jordânia

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Publicado quarta-feira, 2 de abril de 2003 as 10:40, por: CdB

Quatro jornalistas que haviam desaparecido em Bagdá, na semana passada, enquanto cobriam a guerra do Iraque, reapareceram na Jordânia e contaram que foram presos por forças iraquianas, mas não sofreram agressões físicas.

“Estivemos na prisão de Abu Ghraib por sete ou oito dias”, disse o repórter Matthew McAllester, do jornal norte-americano Newsday, pouco depois de cruzar a fronteira do Iraque com a Jordânia. “Não fomos acusados de nada específico, não fomos maltratados fisicamente e nos sentimos felizes de estar livres”.

O grupo era integrado por McAllester e o fotógrafo Moisés Saman, também do Newsday, e os fotógrafos independentes Molly Bingham, de uma família tradicional do jornalismo norte-americano, de Louisville, estado de Kentucky, e o dinamarquês Johan Spanner.

Uma quinta pessoa que acompanhava o grupo e que segundo McAllester também esteve presa, não quis revelar sua identidade. “Estamos cansados”, disse Saman, que explicou que o grupo já havia conversado com familiares depois de cruzar a fronteira e chegar à cidade jordana de Ruweished

McAllester já trabalhou durante vários anos no Oriente Médio e na Ásia para o Newsday, um dos jornais de maior tiragem dos Estados Unidos e que circula em Long Island e em Nova York.

Junto com Saman, também esteve na guerra liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão, que começou em outubro de 2001, após os atentados terroristas em Nova York e em Washington, em 11 de setembro.

McAllester, que cresceu em Edimburgo, na Escócia, é atualmente correspondente do Newsday na Organização das Nações Unidas. Saman, por sua vez, nasceu no Peru e cresceu em Barcelona, na Espanha.

Bingham, cuja família fundou dois jornais no estado de Kentucky, trabalhou como fotógrafa oficial do ex-vice-presidente Al Gore em sua campanha eleitoral, em 2000, e já havia participado de coberturas de conflitos em todo o mundo como fotógrafa independente.

1º de abril

“Pensamos que fosse uma brincadeira de 1º de abril”, declarou Barry Bingham Jr., pai de Molly Bingham, sobre o telefonema que recebeu. “A Molly disse que está bem e que teve uma semana difícil”.

Já o editor de assuntos internacionais do Newsday, Dele Olojede, disse que uma gritaria tomou conta da redação quando McAllester telefonou. “A voz dele estava clara e ele parecia feliz e firme; o mesmo velho Matt”, comentou Olojede.

“Estamos eufóricos”, comemorou o chefe executivo do Newsday, Raymond Jansen, após saber que os funcionários do jornal estavam bem. “Ainda vai demorar um pouco para conhecermos os detalhes, mas queremos agora que eles aproveitem a liberdade e descansem”.

Fontes do Newsday informaram que embaixador do Iraque na ONU, Mohammed Aldouri, expressou sua preocupação sobre a situação dos jornalistas e se prontificou a interceder por suas liberações.

O Comitê para Proteção de Jornalistas, com sede em Nova York, informou que dois funcionários da rede britânica Independent Television News, o cinegrafista francês Fred Nerac, e o tradutor libanês Hussein Othman continuavam desaparecidos.

Eles foram vistos pela última vez no sul do Iraque, em 22 de março, quando o carro no qual viajavam foi alvo de disparos.O correspondente da ITN, Terry Loyd, que também estava no carro, morreu no ataque.