Jornalistas nomeiam mandatário neofascista o ‘Corrupto do Ano’

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Publicado quinta-feira, 31 de dezembro de 2020 as 12:32, por: CdB

A premiação, organizada pelo OCCRP e votada por jornalistas investigativos e centros de mídia independente de todo o mundo, contou com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no “pódio” da “pessoa do ano no crime organizado e na corrupção”.

Por Redação, com RBA – de São Paulo

Nomeado o ‘Corrupto do Ano’ pelo Projeto de Relatórios do Crime Organizado e da Corrupção (OCCRP, na sigla em inglês), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) venceu “por pouco” os contrapartes dos EUA, Donald Trump, e da Turquia, Recep Erdogan. O “prêmio” deve ter pegado o presidente do Brasil de surpresa, ainda mais pelos memes passaram a pipocar nas redes sociais, no último dia deste ano.

A pandemia de covid-19 mostrou de uma vez por todas o despreparo de Jair Bolsonaro em conduzir o país
A pandemia de covid-19 mostrou de uma vez por todas o despreparo de Jair Bolsonaro em conduzir o país

A premiação, organizada pelo OCCRP e votada por jornalistas investigativos e centros de mídia independente de todo o mundo, contou com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, no “pódio” da “pessoa do ano no crime organizado e na corrupção”. Bolsonaro acabou não só “levando o prêmio para casa”, mas colocando a hashtag #BOLSONAROCORRUPTODOANO entre os assuntos mais comentados no Twitter mundial, nesta quinta-feira.

O “prêmio” se deve ainda à gestão ambiental destrutiva, sobretudo na Amazônia, ao tolerar desmatamento e queimadas recordes, enriquecendo figuras que a OCCRP classifica como “alguns dos piores proprietários de terras do país”.

Finalistas

Para alcançar o título de Personalidade Corrupta do Ano, edição 2020 (o prêmio existe desde 2012), Bolsonaro teve concorrência de peso. Entre os finalistas, superou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o presidente turco, Recep Erdogan, e o chefe de Estado da Ucrânia, Ihor Kolomoisky. Todos expoentes da onda de extrema direita que assola o mundo

De acordo com a OCCRP, os finalistas ostentam em comum a propaganda como arma de governo, o desprezo às instituições democráticas. Além disso, a politização dos sistemas de Justiça, a falta de diálogo e de acordos multilaterais. “Premiaram círculos internos corruptos e moveram seus países da lei e da ordem democráticas para a autocracia”, explica a organização.

— Esse é o tema central do ano. Todos são populistas causando grandes danos aos seus países, regiões e ao mundo. Infelizmente, eles são apoiados por muitos, que é a chave do populismo — disse Louise Shelley, diretora do Centro Transnacional de Crime e Corrupção (TraCCC), da Universidade George Mason University (Estado da Virginia. EUA), que participou do painel do prêmio.

‘Rachadinha’

Bolsonaro é também acusado de receber repasses de salários de funcionários fantasmas – prática conhecida como “rachadinha”. Mas em meio a tantas semelhanças com outros líderes populistas do mundo, o critério de desempate pelo qual Bolsonaro tirou dos pares neofascistas o troféu de Personalidade Corrupta do Ano foi o quesito hipocrisia.

O mandatário assumiu o poder com a promessa de lutar contra a corrupção, mas não apenas se cercou de pessoas corruptas, como também acusou injustamente outros de corrupção.

— A família de Bolsonaro e seu círculo íntimo parecem estar envolvidos em uma conspiração criminosa em andamento e têm sido regularmente acusados ​​de roubar do povo. Essa é a definição de um livro sobre uma gangue do crime organizado — afirma Drew Sullivan, editor do OCCRP e um dos juízes do painel.

Conexões

Essas conexões incluem familiares do presidente, como seus filhos Carlos Bolsonaro e Flávio Bolsonaro. As acusações vão de participação em esquema de repasse de salários de funcionários fantasmas a envolvimento com milícias violentas que controlam territórios do Rio de Janeiro. Inclusive grupos investigados pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes.

É citada ainda a segunda ex-mulher de Jair Bolsonaro, Ana Cristina Siqueira Valle. Ela adquiriu 14 imóveis, parte deles em dinheiro vivo, enquanto esteve casada com o então deputado federal. Também é lembrado pela OCCRP o amigo e aliado Marcelo Crivella, prefeito afastado do Rio de Janeiro, em prisão domiciliar por operar uma organização criminosa dentro da administração.