Jovem espanhol é condenado por atentados a trens de Madri

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Publicado terça-feira, 16 de novembro de 2004 as 18:11, por: CdB

Um espanhol de 16 anos foi condenado na terça-feira a pena de 6 anos de prisão em um reformatório juvenil, depois de ter confessado a participação no furto e no transporte da dinamite usada nos atentados de 11 de março contra os trens de Madri.

Foi o primeiro julgamento relativo aos atentados, os mais devastadores na história moderna da Espanha, que mataram 191 pessoas e feriram cerca de 1.900.

O adolescente, identificado apenas pelas iniciais G.M., fez uma rápida aparição no auditório blindado do porão da Corte Suprema de Madri, onde o julgamento aconteceu. Por questões de segurança, o caso não foi tratado numa vara da juventude.

A maioria dos 30 suspeitos de envolvimento no atentado que já foram presos ou estão sob observação judicial vem do norte da África. De acordo com o juiz Juan del Olmo, da Suprema Corte, eles travam uma “guerra santa islâmica” contra o Ocidente.

Em mensagens gravadas em vídeo, os autores do atentado diziam representar a Al Qaeda na Europa e afirmavam que a Espanha estava sendo atacada por ter enviado tropas ao Iraque.

Mas o adolescente condenado é um espanhol das Astúrias (norte) que foi incluído na trama graças a suas ligações com um espanhol mais velho, que traficava drogas e explosivos, segundo os promotores.

Em fevereiro, enquanto seus comparsas furtavam dinamite de uma mina asturiana, o adolescente esperava em um carro do lado de fora, segundo os promotores. Marroquinos teriam levado os explosivos para Madri em um carro.

O rapaz foi enviado então de ônibus à capital para recuperar o carro — mas no caminho levou uma mochila com mais explosivos, pelos quais recebeu 1.200 euros (1.557 dólares). Outros explosivos foram pagos com haxixe marroquino.

O juiz José María Vázquez Honrubia perguntou ao réu se ele concordava com as acusações e com a pena de 6 anos proposta pelo promotor. “Sim”, foi a resposta. Após cumprir a pena, ele passará mais cinco anos sob supervisão judicial.

O público foi isolado do julgamento por um vidro à prova de balas. O réu, sentado ao lado da mãe, ficou escondido por uma tela.

O caso foi concluído em oito meses, um prazo relativamente curto, porque o suspeito é menor de idade. Seus cúmplices o chamavam de El Guaje (“O Rapazinho”).

A dinamite furtada foi distribuída em 14 bombas de cerca de 10 a 12 quilos cada uma. As bombas foram deixadas em sacolas dentro de trens de subúrbio lotados.

Dez delas explodiram quase simultaneamente, três foram detonadas pela polícia e a outra, encontrada quase 12 horas depois em um depósito policial para o qual havia sido levada por engano, acabou dando praticamente todas as pistas do caso, a começar pelo telefone celular usado como detonador.

Graças a isso, os investigadores acreditam terem prendido ou identificado quase todos os autores do atentado.