Justiça agrava repressão ao negar visitas a Lula e culpar José Dirceu

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Publicado quinta-feira, 19 de abril de 2018 as 17:58, por: CdB

Enquanto uma juíza de Curitiba impede que o filósofo Leonardo Boff e o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel visitem o ex-presidente Lula; desembargadores colocam o líder petista José Dirceu a um passo da cadeia, por 30 anos.

 

Por Redação – de Curitiba e Porto Alegre

 

O Tribunal Regional Federal da Quarta Região (TRF-IV) negou, na tarde desta quinta-feira, o recurso apresentado pelo ex-ministro José Dirceu. Os magistrados mantiveram sua condenação por corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro. E, no Paraná, uma juíza de primeira instância impede a visita de dois referenciais pela luta dos Direitos Humanos, em nível mundial, ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Leonardo Boff aguardava, sozinho, a liberação para visitar o amigo Lula; na tarde em que José Dirceu ficou mais próximo do mesmo destino
Leonardo Boff aguardava, sozinho, a liberação para visitar o amigo Lula; na tarde em que José Dirceu ficou mais próximo do mesmo destino

De acordo com o TRF-IV, a pena de José Dirceu ainda não pode ser executada, ou seja, ele ainda não pode ser preso, uma vez que a defesa ingressará com embargos de declaração sobre os embargos infringentes. Ainda assim, Dirceu está a um passo de voltar ao cárcere.

A defesa também solicitou o recálculo da pena. Também pediu a reparação do dano, ou seja, a multa a ser paga pelo réu; seja deliberada pela a 12ª Vara de Execução, em Curitiba. Este é o órgão de execução penal, e não pelo TRF-IV. 

Juíza de Curitiba

O ex-ministro foi condenado, inicialmente, a 20 anos e 10 meses de reclusão, pela 13ª Vara Criminal de Curitiba. Em recurso na segunda instância, no entanto, teve a pena aumentada em quase 10 anos, atingindo 30 anos, 9 meses e 11 dias.

Admirado no PT como um dos principais construtores do partido, Dirceu recebe a solidariedade dos correligionários, nas redes sociais. Da mesma forma o ex-presidente Lula, que receberia, também nesta tarde, a visita de dois amigos.

O escritor e teólogo Leonardo Boff esteve na capital paranaense, ao lado do ativista argentino Adolfo Pérez Esquivel, ganhador do Prêmio Nobel da Paz. Eles foram à unidade da Polícia Federal onde está preso o ex-presidente, na tentativa de fazer uma visita de caráter humanitário e religioso. Uma decisão negativa de uma juíza de Curitiba; para o caráter de inspeção às dependências, impediu-os de conversar com Lula.

Entrada franqueada

A juíza da 12ª Vara Federal de Curitiba, Carolina Lebbos, no entanto, ainda não respondeu a um requerimento anterior ao atual, de autorização de visita em caráter pessoal em função da amizade. A advogada Tânia Mandarino, que presta apoio jurídico a Esquivel no Brasil, diz que chama a atenção o fato de que o pedido para a visita pessoal do argentino à Lula ter sido protocolado antes e ainda não ter sido apreciado. 

— É preocupante essa conduta, porque Esquivel é apenas a primeira de muitas visitas internacionais que irão ocorrer ao ex-presidente Lula, como estadista. Sem contar o caráter de perversidade — diz a advogada, referindo-se à idade avançada de ambos.

Esquivel tem 87 anos e Boff, 79.

— Pela sua relação de aconselhamento espiritual com Lula, Leonardo Boff deveria ter, inclusive, sua entrada franqueada. É lamentável — protestou.

Missão espiritual

A advogada viu componentes de sadismo na conduta da juíza Carolina Lebbos.

— Absurdo dos absurdos, quando a juíza apreciou primeiro o pedido que foi posto depois, opusemos embargos de declaração pedindo que antecipasse o pedido de visita. Ela só respondeu, sadicamente, os embargos e não comentou sobre o pedido de visitas. Disse que não há urgência e, resumindo, ‘problema do Esquivel se ele está só de passagem — acrescentou.

Ao conversar diretamente com a Superintendência da PF, o ativista argentino teve o acesso, mais vez, negado.

— Vamos ter de esperar se até amanhã (quando volta à Argentina) para ver se sai a autorização. Espero poder encontra o Lula, abraçá-lo e levar-lhe toda a solidariedade internacional que temos recebido; de Portugal, Alemanha, França; Noruega, vários países. Essa prisão tem causa uma apreensão de dimensão mundial — disse Esquivel.

E, na provocação de Leonardo Boff:

— Eu, que sou velho amigo de Lula, vim em uma missão espiritual. Como uma lei divina pode ser negada por uma juíza terrena?

Agrado popular

O teólogo afirmou que o Brasil atual é uma nau sem rumo. Lula é o único que “brilha” aos olhos do povo; com poder de reverter as “iniquidades” cometidas no governo do presidente de facto, Michel Temer. 

— Brasil está como uma nau perdida; um avião sem piloto. Voando. Não sabemos em que direção ou em que montanha vai bater. Não há líder nenhum que aglutine pessoas, não há luz no fim do túnel. Estamos realmente em uma situação que nunca ocorreu em nosso país. A única pessoa que brilha nas estatísticas e no agrado popular é Lula — constata.

Ainda segundo o religioso, “o portador do poder é o povo, e o povo quer Lula como presidente. Para desmontar as iniquidades que o governo Temer fez contra os trabalhadores, aposentados; contra a Saúde, a Educação”.

Sem provas

O teólogo disse, ainda, que o golpe para retirar lideranças populares da política não tem sido aplicado apenas no Brasil; mas “foi gestado externamente”. Essas forças estrangeiras teriam se aliado aqui com o que Boff chama de “elite do atraso. Herdeiros da Casa Grande”. 

— Esses grupos milionários se aliaram aos interesses estrangeiros e deram um golpe. Não mais com baionetas e tanques. Mas um golpe de venalidade; comprando literalmente senadores e deputados. Perverteram a Justiça, partes do MP e da PF — observa,

De acordo com Leonardo Boff, foi estabelecida, no país, “uma coligação de forças que primeiro depôs Dilma; mas ela não era o objeto principal”.

— O principal é Lula. E, em segundo lugar, é desmontar as políticas sociais que ele fez em função do povo. Se possível, liquidar a base popular do PT e fazer com que desapareça o partido — concluiu o teólogo.

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