Justiça chilena abre processo conta 5 militares

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Publicado sexta-feira, 4 de julho de 2003 as 02:02, por: CdB

A Justiça chilena abriu, nesta sexta-feira, um processo contra cinco militares, entre eles dois suboficiais da ativa do Exército, como autores do homicídio do operador de uma rádio clandestina durante a ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), informaram hoje fontes judiciais.

O processamento foi ditado pela juíza com dedicação exclusiva a causas de violações aos direitos humanos, Raquel Lermanda, que averigua o assassinato de Fernando Vergara Vargas, ocorrido em 15 de dezembro de 1984 no centro de Santiago.

Os processados são o capitão Arturo Sanhueza Ross, o coronel Aquiles González Cortés e o suboficial Jorge Ramírez, todos da reserva. Segundo determinou a juíza, os três oficiais eram membros da Brigada Azul da temível Central Nacional de Informações (CNI), encarregada de reprimir o Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR). Junto a eles, a magistrada processou os suboficiais em serviço Francisco Orellana Seguel e Luis Gálvez Navarro.

Segundo o “Relatório Rettig”, que documentou as violações dos direitos humanos durante a ditadura militar, Vergara, de 36 anos de idade, “foi executado por agentes da CNI”. O publicitário era militante do MIR e depois do golpe militar do 11 de setembro de 1973 esteve detido em prisões da ditadura que o expatriou em 1975.

No entanto, em 1982 ingressou clandestinamente no Chile e trabalhou na edição do diário “O Rebelde”, porta-voz desse grupo político e na rádio clandestina “Libertação”. Segundo uma informação do diário eletrônico “El Mostrador”, dois de seus supostos assassinos, os suboficiais Gálvez Navarro e Orellana Seguel são atualmente membros da Direção de Inteligência do Exército (Dine).

A ministra de Defesa, Michelle Bachelet, em declarações feitas na quarta-feira garantiu que em mais de um ano o Exército passou para a reserva mais de 120 pessoas envolvidas em violações dos direitos humanos.