Lama polui reservatório de Retiro Baixo e segue para Três Marias

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Publicado sábado, 23 de fevereiro de 2019 as 14:40, por: CdB

A água do rio Paraopebas, que alimenta a usina de Retiro Baixo, está completamente tomada pela lama. Moradores de cidades mineiras, que usavam o manancial para abastecimento, ainda sofrem com a tragédia.

 

Por Redação – de Belo Horizonte

 

A lama decorrente do rompimento de um reservatório de rejeitos da mineradora Vale, em Brumadinho (MG), há 30 dias, poluiu a represa da hidrelétrica de Retiro Baixo e segue em direção ao lago da represa de Três Marias, uma das maiores da Região Sudeste.

Segunda pluma com rejeitos se desloca lentamente no Rio Paraopeba

As previsões do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, se confirmaram e o governo poderá determinar a paralisação parcial da usina hidrelétrica, na tentativa de impedir que os rejeitos cheguem ao Rio São Francisco.

Em reunião da comissão externa da Câmara dos Deputados de monitoramento do desastre, na véspera, Canuto lembrou que a barragem de rejeito de minérios se rompeu no fim de janeiro deixando um mar de lama e destruição na cidade mineira. Até a última quarta-feira, foram confirmadas 171 mortes; mas ainda há 141 pessoas desaparecidas.

Na roça

A água do rio Paraopebas, que alimenta a usina de Retiro Baixo, está completamente tomada pela lama. Moradores de cidades mineiras que usavam o manancial para abastecimento, ainda sofrem com a tragédia.

Quando a água começou a mudar de cor, o produtor rural Charles Constantino Barreto desmontou o sistema de irrigação correndo.

— Não tenho coragem de pôr a mão nessa água mais. E não vou deixar nenhum companheiro meu pôr a mão nela aqui para molhar alguma coisa dentro da roça. A gente não sabe o que tem dentro dela — disse, a jornalistas.

Turbidez

A água do Paraopeba era fundamental na irrigação dos 150 mil pés de banana na fazenda de Charles, que fica a mais de 60 quilômetros em linha reta de onde a lama caiu no rio Paraopeba.

No dia do rompimento, 12 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério desceram pelo vale no pé da mina de Córrego do Feijão e arrasaram tudo que estava no caminho; sete quilômetros adiante a lama caiu no Rio Paraopeba.

A lama chegou a bloquear a passagem da água, mas foi se diluindo aos poucos e seguiu a correnteza, manchando o rio com uma cor de chocolate. As primeiras análises da água, em Brumadinho, apontaram um índice de 63 mil NTUs, que mede a turbidez da água, 630 vezes acima do aceitável.

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