A Lei da ficha limpa e suas ingenuidades

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Publicado sexta-feira, 17 de agosto de 2018 as 16:52, por: CdB

Haddad, cuja candidatura parece mais viável, pronunciou-se contrário aos regimes de Nicarágua e da Venezuela e, sejamos claros, este não é um bom começo. Mais aparenta uma tentativa de convergência com os interesses imperialistas de não permitir, a nenhum pretexto, governos desalinhados do seu comando.

Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro

A Lei da ‘Ficha Limpa’ proíbe a candidatura de alguém condenado por um colegiado nos casos de abuso de poder econômico ou político nos pleitos em que concorrem. Lula não se enquadra nestes tipos penais, pois sua ‘condenação’ funda-se na farsa do Triplex do Guarujá e as demais acusações não foram decididas sequer em primeiro grau.

Maria Fernanda Arruda escreve para o Correio do Brasil
Maria Fernanda Arruda escreve para o Correio do Brasil

No entanto, enquanto perdura esta situação, Haddad não sai das sombras para tornar-se um nome ampla e necessariamente conhecido em todos os cantos do Brasil.

Essa tática pode esvaziar Haddad ou fortalecer a possibilidade de transferência de votos lulistas para sua densidade eleitoral?

Venezuela

É esta a realidade a ser decifrada.

A imensa maioria dos analistas políticos confiáveis defende a candidatura de Lula até as consequências finais, talvez um pronunciamento antecipado do Tribunal Superior Eleitoral nos próximos dias.

A depender do judiciário, as chances de Lula impor sua candidatura é quase nula, afinal as altas Cortes deram sustentação aos golpe e mantêm-se afinadas com a selvageria e decisões dos golpistas e contam, para isto, com o mais notório apoio da mídia liderada pela Globo.

Nada de ingenuidades.

Amanhã, dia 15, o sistema e as instituições ver-se-ão diante deste dilema político, valendo-se da leitura das regras constitucionais e legais para rearranja-las ao gosto e comando do Pentágono.

Ouça o povo

Haddad, cuja candidatura parece mais viável, pronunciou-se contrário aos regimes de Nicarágua e da Venezuela e, sejamos claros, este não é um bom começo. Mais aparenta uma tentativa de convergência com os interesses imperialistas de não permitir, a nenhum pretexto, governos desalinhados do seu comando.

Portanto, ao invés de adotar o discurso anti-bolivariano, deveria ater-se à gravidade da situação vivida dentro do nosso país. Inclusive, definir-se sem vacilações diante da (mal)dita reforma trabalhista; propor soluções para o desemprego indicando medidas que possam significar a retomada do crescimento econômico brasileiro.

Não se trata de um conselho. É apenas um ponto-de-vista. Saia às ruas, Haddad, ouça o povo e encontrará o caminho para a vitória.

Maria Fernanda Arruda é escritora e colunista do Correio do Brasil.

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