Lewandowski impõe pesada derrota a Moro e seus associados

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Publicado segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021 as 15:46, por: CdB

Os novos diálogos foram incluídos nesta segunda-feira no processo, pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quer provar a parcialidade de Moro e dos procuradores no processo que culminou na cassação da candidatura de Lula, nas últimas eleições presidenciais.

Por Redação – de Brasília

Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Ricardo Lewandowski impôs uma pesada derrota ao grupo de magistrados e procuradores do Paraná na gestão da Operação Lava Jato ao retirar o sigilo das conversas entre o ex-juiz Sérgio Moro e seus associados no Ministério Público Federal (MPF). Uma vez oficializados, os diálogos perdem a conotação de notícia falsa, na qual Sergio Moro sempre se escorou, na tentativa de se defender da acusação de parcialidade nos processos que condenaram o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Ricardo Lewandowski liberou as mensagens que comprometem Sérgio Moro

Os novos diálogos foram incluídos nesta segunda-feira no processo, pela defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quer provar a parcialidade de Moro e dos procuradores no processo que culminou na cassação da candidatura de Lula, nas últimas eleições presidenciais. O material tem, ao todo, 50 páginas e foi publicado, inicialmente, no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo (FSP), nesta manhã.

Diálogos

Mensagem expõe Moro e Dallagnol

“Uma outra parte dos diálogos já tinha vindo a público na semana passada e revelava Moro orientando os procuradores sobre como apresentar a denúncia contra o petista no caso do triplex do Guarujá. Os diálogos foram obtidos pelos advogados de Lula depois que o próprio Lewandowski decidiu que eles poderiam ter amplo acesso ao material apreendido na Operação Spoofing”, afirma a FSP.

A liberação dos diálogos captados por hackers que conseguiram rastrear os celulares de autoridades de Brasília, entre elas o próprio Moro, foi contestada até o último minuto pelo procurador Deltan Dallagnol, que chefiou a Lava Jato, à época do conteúdo vazado. Uma parte substancial do arquivo dos aparelhos foi entregue à agência norte-americana de notícias The Intercept Brasil, que, em parceria com outros veículos, publicou diálogos no que ficou conhecido como o escândalo da Vaza Jato.

Golpe de Estado

A certa altura do golpe perpetrado contra a presidenta deposta Dilma Rousseff (PT), o então juiz Moro saiu em defesa do processo de impeachment. No dia da publicação da mensagem, Dallagnol comemora uma declaração do superior hierárquico favorável ao afastamento da mandatária. Naquele domingo, o Brasil teve uma manifestação relevante contra Rousseff, seu governo e o seu partido, o PT.

Foram registrados protestos em todos os 26 Estados e o Distrito Federal e os atos reuniram mais de 3 milhões de pessoas em todo o país, nas contas da mídia conservadora, com base em estimativas da Polícia Militar (PM), que se mostrou um organismo ligado à extrema-direita. Em São Paulo, naquela data, foram à avenida Paulista cerca de 500 mil pessoas, conforme apurou o Instituto DataFolha.

Moro critica o Congresso e o STF

Luiz Fux

Na troca de mensagens, o procurador Dallagnol relatou em troca de mensagens detalhes de uma conversa em que o ministro do STF Luiz Fux, hoje presidente da Corte, declarou que a força-tarefa da Lava Jato poderia contar com ele “para o que precisar”, segundo adiantou a agência The Intercept Brasil, na Vaza Jato, agora confirmada no documento liberado por Lewandowski.

“Caros, conversei com o Fux mais uma vez, hoje. Reservado, é claro: O Min Fux disse quase espontaneamente que Teori (Zavascki) fez queda de braço com Moro e viu que se queimou, e que o tom da resposta do Moro depois foi ótimo”, revelou a agência.

E segue: “Disse para contarmos com ele para o que precisarmos, mais uma vez. Só faltou, como bom carioca, chamar-me pra ir à casa dele rs. Mas os sinais foram ótimos. Falei da importância de nos protegermos como instituições. Em especial no novo governo”.

Ainda segundo a agência, as declarações foram feitas em abril de 2016, após a aprovação na Câmara dos Deputados da abertura do impeachment da então presidente Dilma Rousseff. Michel Temer assumiu interinamente a Presidência em maio daquele ano.

A Lava Jato usou dinheiro público para apoiar seus objetivos ideológicos, com apoio de Moro e Dallagonl