Líder Guajajara assassinado por grileiros que atuam no Maranhão

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Publicado quarta-feira, 1 de abril de 2020 as 11:05, por: CdB

O líder indígena Zezico Rodrigues, do povo Guajajara, foi assassinado na terça-feira, no município de Arame, no Maranhão. Ele foi atingido por um tiro de espingarda, numa emboscada próxima à aldeia Zutiwa.

Por Redação, com RBA – de Brasília

O líder indígena Zezico Rodrigues, do povo Guajajara, foi assassinado na terça-feira, no município de Arame, no Maranhão. Ele foi atingido por um tiro de espingarda, numa emboscada próxima à aldeia Zutiwa. O autor do disparo não foi identificado. Diretor do Centro de Educação Indígena Azuru e conhecido pela luta contra invasões e roubo de madeira em seu território, Zezico é o quinto indígena morto naquele estado em quatro meses.

Zezico era professor, diretor do centro de educação escolar indígena Azuru e conhecido pela luta contra invasões e roubo de madeira em seu território
Zezico era professor, diretor do centro de educação escolar indígena Azuru e conhecido pela luta contra invasões e roubo de madeira em seu território

Defesa do território

– É uma liderança que sempre lutou pela defesa do território contra as queimadas, uma liderança muito aguerrida pela proteção do seu território. O povo Guajajara pede que esse crime não fique impune e os órgãos responsáveis possam fazer a investigação – disse o coordenador do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) no Maranhão, Girdelan  Rodrigues da Silva, ao Brasil de Fato.

Com o assassinato de Zezico, o número de homicídios registrados contra indígenas do povo Guajajara desde o ano 2000 chega a 49, sendo 48 deles no Maranhão e um no Pará, conforme dados do Cimi.

Em novembro e dezembro de 2019, quatro indígenas Guajajara foram assassinados. Entre eles, Paulo Paulino Guajajara, que era integrante do grupo de Guardiões da Floresta, formado pelos próprios indígenas para monitorar e defender seus territórios tradicionais frente à presença de invasores.

Indígenas no Maranhão

O coordenador do Cimi ressalta que é preciso não só que as autoridades tomem uma providência em relação às mortes dos indígenas no Maranhão, mas que a sociedade civil se posicione junto aos povo originários.

– É importante que haja a proteção para que as lideranças tenham as suas vidas preservadas, seus territórios preservados. Caso contrário, nós continuaremos vendo vidas serem ceifadas e os responsáveis impunes. É importante que a sociedade brasileira cobre a proteção também dos territórios, assim como os indígenas têm colocado seus corpos à frente da proteção desses territórios – acrescentou Girdelan.

Desde o início da gestão de Jair Bolsonaro, os ataques aos povos indígenas foram intensificados no Brasil. Segundo o relatório Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil, há destaca a “permissividade” do Poder Público em relação aos crimes cometidos contra os indígenas, que se iniciou no governo Temer e se agravou na presidência de Bolsonaro.

 

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