Líder de Myanmar é acusada de novo crime por militares golpistas

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Publicado segunda-feira, 12 de abril de 2021 as 13:17, por: CdB

A líder “de facto” de Myanmar, Aung San Suu Kyi, foi acusada de um novo crime na gestão da pandemia da covid-19 pela junta militar que deu um golpe de Estado no país no início de fevereiro. Essa é a sexta imputação da Nobel da Paz de 1991 desde sua prisão no dia 1º daquele mês.

Por Redação, com ANSA – de Yangon

A líder “de facto” de Myanmar, Aung San Suu Kyi, foi acusada de um novo crime na gestão da pandemia da covid-19 pela junta militar que deu um golpe de Estado no país no início de fevereiro. Essa é a sexta imputação da Nobel da Paz de 1991 desde sua prisão no dia 1º daquele mês.

Suu Kyi está presa desde 1º de fevereiro, data do golpe militar

– Ela foi acusada de seis crimes no total, cinco acusações em Nay Pyi Daw e uma em Yangon – disse a advogada Min Min Soe à agência AFP nesta segunda-feira.

Essa é a segunda acusação de violação da lei de desastres naturais por conta da gestão da crise sanitária contra Suu Kyi, argumento também usado contra o presidente do país, Win Myint, que está na mesma prisão domiciliar que sua aliada.

Os outros quatro “crimes” referem-se à violação das leis de comércio exterior (pela importação de rádios de comunicação) e de comunicação, além de acusações por incitar os protestos pró-democracia e por corrupção (por supostamente ter recebido US$ 600 mil e 11 quilos de ouro).

As audiências são realizadas todas por videoconferência, bem como as conversas que ela tem com seus advogados.

Dia do golpe

Suu Kyi e Myint foram presos no dia do golpe por uma suposta “fraude eleitoral”, mas nunca foram acusados por nada relacionado ao pleito de 8 de dezembro. Na disputa, o partido deles, o Liga Nacional para a Democracia (NLD), teve uma vitória avassaladora com mais de 70% dos votos.

Segundo analistas, por perceberem que tinham perdido o controle do país, mesmo tendo nas mãos o controle de três importantes ministérios, Defesa, Interior e Relações Externas, e de 25% do Parlamento, ambos por força de lei, os militares deram o golpe contra a democracia.

Desde então, diariamente, milhares de pessoas vão às ruas de inúmeras cidades de Myanmar para protestar pela libertação dos presos políticos e também para a retomada da normalidade democrática.

No entanto, os policiais usam força letal contra os civis para desfazer os atos e já mataram cerca de 700 pessoas, incluindo dezenas de crianças. O golpe também teve repercussões nas relações exteriores, com os países ocidentais impondo sanções pesadas contra a junta militar e contra empresas estatais.